quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

História da Beleza



Sempre tive admiração por pessoas que sabem discorrer sobre inúmeros assuntos sempre de forma genial, Umberto Eco é uma dessas pessoas.

O autor italiano titular da cadeira de semiótica e diretor da escola Superior de Ciências Humanas da Universidade de Bolonha, colabora em diversos meios de comunicação do mundo inteiro, jornais, revistas e textos na web.

É mais conhecido pelo livro O Nome da Rosa, mas além dessa obra espetacular, ele é conhecido pelos ensaios específicos que fez em Semiótica com o Tratado Geral de Semiótica, filosofia com os ensaios Obra Aberta e a Estrutura Ausente.

Mas é sobre esse livro que eu quero hoje falar, A História da Beleza é um compêndio de 17 capítulos onde o autor discorre que beleza dos monstros pode ser tão estimulante como os seios da Vênus de Bronzino.

O livro já é uma bíblia, uma referência sobre o assunto mas uma bíblia que não se fecha em dogmas.

Eco passeia sobre o belo sem procurar defini-lo, mostrando que a beleza não existe apenas na ordem e na aparente harmonia, mas também no que é caótico, perturbador, surpreendente.

Uma clara declaração de amor ás obras que a pintura e arquitetura nos deixaram, com explicações sobre o papel da luz e da cor na Idade Média já justificam o livro.




É um prodígio de síntese, capaz de levar ao leigo informações fundamentais sobre a hostilidade medieval à esfumatura, truque maior do barrocos príncipes das trevas.

Eco também compara pinturas clássicas de reis ao retrato de Kennedy e interpretações de Adônis, com sua vasta cabeleira, ao ator James Dean e ao cantor Jimi Hendrix. E o que ele parece querer mostrar é que existem mil possibilidades de visão de um mesmo símbolo.




A beleza não pode ser engessada num único padrão, porque cada época e cultura têm seu código estético. luz de Vermeer pode ser tão bonita quanto o urinol de Duchamp.

E também não há melhor nem pior entre Chopin e um concerto polifônico, Chaplin e Eiseinstein, teatro grego ou experimental.

Belo mesmo, ensina Eco, é estar sempre aberto a se maravilhar.

Boa Leitura.

Marcello Lopes

Um comentário:

Laura disse...

É muito bom quando alguém fala (ou escreve) algo que a gente pensa. "Sempre tive admiração por pessoas que sabem discorrer sobre inúmeros assuntos sempre de forma genial." é um exemplo.
Mas, aproveitando, gostaria de saber se você pode indicar algo sobre Literatura Comparada e Semiótica (os mais procurados para mestrado/doutorado), ao menos aí pelos estudantes da UFMG. Obrigada.