sábado, 19 de dezembro de 2009

Mulheres que fazem minha cabeça.....parte 2




Susan Sontag foi escritora, crítica de arte e ativista que graduou-se na Universidade de Harvard e destacou-se por sua defesa dos direitos humanos.

Publicou vários livros, entre eles, A vontade radical, Assim vivemos agora, O Benfeitor, Contra a Interpretação e Na América, pelo qual recebeu um dos mais importantes prêmios do seu país, o National Book Award.

Publicou artigos em revistas como The New Yorker e The New York Review of Books e no jornal The New York Times.

Em um de seus últimos artigos, publicado em maio de 2004 no jornal The New York Times, Sontag afirmou que "a história recordará a Guerra do Iraque pelas fotografias e vídeos das torturas cometidas pelos soldados americanos na prisão de Abu Ghraib".

Ela faleceu aos 71 anos de idade de Síndrome mielodisplásica seguida de uma Leucemia mielóide aguda em 28 de Dezembro de 2004.



Ela mesma se dizia, uma "fanática pela seriedade", cuja mente voraz e prosa provocante a tornaram uma das mais importantes intelectuais dos últimos 50 anos,se definia como "esteta afeiçoada" e "moralista obsessiva".

Seu maior impacto literário da escritora foi como ensaísta, Notes on Camp", um texto de 1964 que a estabeleceu como importante pensadora, popularizou a atitude "isso é tão ruim que parece até bom", a qual veio a ser aplicada a uma enorme variedade de coisas, de "Swan Lake" a estolas de plumas.

Em "Contra a Interpretação", a mais analítica das intelectuais dedicava sua análise à preocupação com a possibilidade de que o escrutínio crítico interferisse com o poder "mágico, encantatório", da arte.

Ela também escreveu obras influentes como "A Doença como Metáfora", na qual examinava a maneira pela qual a doença era romantizada e demonizada, ciclicamente, e "On Photography", na qual argumentava que as imagens muitas vezes distanciam o observador do tema que retratam.

Sontag lia escritores de todo o mundo, e à ela é atribuído o crédito por apresentar intelectuais europeus como Roland Barthes e Elias Canetti aos leitores norte-americanos. "Não conheço outra intelectual tão lúcida e com tamanha capacidade de ligar, conectar, relacionar", disse certa vez o romancista mexicano Carlos Fuentes. "Ela é única."

Diferente de muitos escritores norte-americanos, ela se envolveu profundamente em questões políticas, mesmo depois dos anos 60. Entre 1987 e 1989, Sontag presidiu à divisão norte-americana do Pen Club, uma aliança mundial de escritores.

Quando o aiatolá Khomeini pediu a morte de Salman Rushdie por suposta blasfêmia no romance "Os Versos Satânicos", ela ajudou a liderar os protestos da comunidade literária. 

Após a execução de três dissidentes cubanos, Sontag envolveu-se em uma polêmica com o escritor colombiano Gabriel García Márquez, a quem acusou de ser condescendente à repressão imposta pelo regime de Fidel Castro.

Sontag batalhava incessantemente pelos direitos humanos e, ao longo dos anos 90, visitou muitas vezes a região da Iugoslávia, pedindo ação internacional contra a guerra civil que se espalhava pelos Bálcãs. Em 1993, visitou Sarajevo, onde montou uma produção de "Esperando Godot", em plena guerra.

Filha de um negociante de peles, ela nasceu como Susan Rosenblatt, em Nova York, em 1933, e passou a infância no Arizona e em Los Angeles.

A mãe era alcoólatra; o pai morreu quando ela tinha cinco anos. Mais tarde, sua mãe se casou com um oficial do exército, o capitão Nathan Sontag. Susan Sontag lembrava sua infância como "uma grande sentença de prisão".

Ela completou sua educação básica com três anos de antecedência, formando-se no segundo grau aos 15 anos; o diretor da escola disse que ela estava perdendo tempo lá. Sua mãe, enquanto isso, advertiu que, se não parasse de ler, jamais se casaria.

Na Universidade de Chicago, ela assistiu a uma palestra de Philip Rieff, psicólogo social e historiador. Casaram-se dez dias mais tarde. Sontag tinha 17 anos, ele 28. "Era um homem apaixonado erudito e puro", disse ela mais tarde sobre o marido.

Na metade dos anos 60, o casal se divorciara (tiveram um filho, David, nascido em 1952), e Sontag se tornou uma das luzes na cena literária de Nova York. Ela era conhecida por seus ensaios, mas também escrevia ficção, ainda que inicialmente sem grande sucesso. "Death Kit" e "The Benefactor" eram, romances experimentais que pouca gente teve paciência de ler até o fim.

"Infelizmente, a inteligência de Sontag continua a ser maior que o seu talento", escreveu Gore Vidal em 1967, ao resenhar "Death Kit". "Mas assim que se livrar da literatura, ela terá o poder de realizá-la, e não há muitos escritores norte-americanos sobre quem se possa dizer o mesmo".

A ficção de Sontag se tornou mais acessível. Ela escreveu um elogiado conto sobre a Aids, "The Way We Live Now" (A maneira pela qual vivemos agora), e um romance de sucesso, "O Amante do Vulcão", sobre o almirante Nelson e Lady Hamilton, sua amante.

Em 2000, seu romance "Na América", sobre Helena Modjeska, uma atriz polonesa do século 19, foi um fracasso comercial, e recebeu críticas pelo uso não creditado de fontes, tanto de trabalhos de ficção quanto trabalhos de não-ficção. Ainda assim Sontag conquistou com ele o National Book Award.

Entre outras obras, Sontag também criou os filmes "Duet of Cannibals" e "Brother Carl", e escreveu uma peça, "Alice in Bed", com base na vida de Alice James, a adoentada irmã de Henry e William James. Sontag fez uma ponta, como ela mesma, em "Zelig", o falso documentário dirigido por Woody Allen.

Em 1999, escreveu um ensaio para "Women", compilação de retratos da fotógrafa Annie Leibovitz, sua companheira por muitos anos. Sontag não era adepta da fala ponderada.

Escrevendo sobre a Guerra do Vietnã, ela afirmou que "a raça branca é o câncer da história humana".


Poucos dias depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro, ela criticou a política externa dos Estados Unidos e fez elogios aos terroristas."Onde está o reconhecimento de que não se tratava de um ataque "covarde" à "civilização", "liberdade", "humanidade" ou ao "mundo livre", mas de um ataque à única superpotência mundial, empreendido como conseqüência de alianças e ações específicas dos Estados Unidos?", escreveu ela na revista "New Yorker". "Quanto à questão da coragem (uma virtude moralmente neutra), diga-se o que quiser sobre os perpetradores do massacre de terça-feira, eles não eram covardes."

Nenhum comentário: