sábado, 14 de novembro de 2009

Rapidinhas do Mercado Livreiro

1) A queda nas vendas da Feira do Livro de Porto Alegre pode estar relacionada ao sumiço da tradicional lista de mais vendidos. Ou de mais comprados. No ano passado, por falta de verbas, a Câmara Rio-Grandense do Livro não realizou a pesquisa para levantar as obras. A atitude gerou um sinal: neste ano, a pesquisa está sendo feita, mas só será divulgada após o final do encontro literário. “Foi um efeito colateral positivo. Recebi informação de vários expositores de que os leitores voltaram a buscar o livreiro como agente de leitura.

Vimos a possibilidade de diminuir a pressão pelos livros das listas, aumentando a diversificação de exposição e diminuindo a homogeneização das vitrinas”, comenta João Carneiro, presidente da Câmara. Ele desconversa quando se tenta vincular a lista à queda nas vendas. “A comercialização não é nosso único objetivo.

Queremos estimular novos leitores e manter uma bibliodiversidade”. Ivan Pinheiro Machado, da L&PM Editores, sente falta da lista. Lembra que a principal característica da Feira é cultuar seus heróis, e a lista confirmaria isso. Heróis é como ele chama os autores locais.

2) Principal reclamação dos habituais frequentadores da Feira do Livro de Porto Alegre, a falta de variedades nas bancas da Praça da Alfândega é reflexo de um dos pontos internos mais controversos da própria organização da Feira: a surda disputa interna entre livreiros de um lado e distribuidoras e editoras de outro.

Pelo mesmo motivo, algumas livrarias tradicionais da cidade já debandaram da Praça. “Quem fica de porta aberta com chuva, sol, inverno e verão são as livrarias, mas chega a Feira do Livro todo mundo quer ter banca na Praça, inclusive o distribuidor, que aí coloca só o que ele considera “filé”: o best-seller.

Por isso, as bancas são tão iguais, e, se um outro tipo de livro estoura, já teve distribuidor que segurou para ele sem repassar às livrarias”, comenta Lu Vilella, da Bamboletras, que há três anos decidiu não participar mais da Feira e manter a livraria, no Centro Comercial Nova Olaria, com os mesmos descontos da Praça.

3) Na semana passada, a Fnac abriu em Ribeirão Preto a sua segunda loja no interior de São Paulo. Neste ano, essa será a única inauguração da varejista francesa de aparelhos eletrônicos, livros, CDs e DVDs no País, na qual foram investidos R$ 15 milhões.

A vinda da Fnac ao Brasil, no fim dos anos 90, causou frisson e a rede era vista na época como uma das grandes promessas transformadoras do varejo brasileiro. No entanto, a rede avançou a passos bem mais lentos do que se previa inicialmente: nesses 11 anos, a Fnac só chegou agora a nove lojas. E o Brasil continua sendo o único mercado fora da Europa e a única economia emergente onde a varejista fincou sua bandeira.

A partir de 2010, a varejista quer, finalmente, acelerar o ritmo de expansão no Brasil. "O objetivo é abrir duas ou três lojas por ano", diz Pierre Courty, executivo francês que preside a Fnac desde que a companhia desembarcou no Brasil. A Zona Sul do Rio de Janeiro e Belo Horizonte são dois locais onde a Fnac está à procura de endereços e, possivelmente, onde a rede abrirá unidades no ano que vem.

Fonte: Publishnews

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