segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parceria entre Penguin Books e Companhia das Letras trará ao Brasil clássicos a preços baixos


Uma notícia interessante do mercado editorial brasileiro, a partir do segundo semestre de 2010, uma nova linha de produção que promete levar às prateleiras nacionais edições cuidadosas de livros clássicos a preços entre R$ 15 e R$ 35.

A Companhia das Letras acaba de firmar um acordo exclusivo com o conglomerado editorial inglês Penguin Books para publicar no Brasil a maior e mais variada coleção de clássicos da atualidade. O anúncio foi feito esta quarta-feira na sede mundial da Penguin, em Nova York.

Com um catálogo de mais de 1.300 títulos, a Penguin fez História ao lançar, nos anos 1930, a década da Grande Depressão, livros clássicos em formato de bolso pelo "preço equivalente ao de um maço de cigarros", como gostava de repetir o seu fundador, Allen Lane.

O projeto era vender autores como Ernest Hemingway, André Maurois ou Agatha Christie num formato popular e num circuito que extravasava em muito o das livrarias tradicionais, levando livros a bancas de jornais, tabacarias e estações de trem.

Em apenas um ano, o padrão gráfico da Penguin tornava-se internacionalmente conhecido, graças à venda de três milhões de exemplares.

Agora, 75 anos depois, o acordo com a Companhia das Letras traz para o mercado brasileiro um gigante editorial, presente em 60 países, com mais de 50 selos de publicação, sem contar a participação no mercado jornalístico, já que o grupo Penguin faz parte de um dos maiores conglomerados internacionais de mídia, proprietário do jornal britânico "Financial Times".

O Brasil é um mercado emergente com grande potencial de crescimento, sobretudo na direção de livros com preços populares e com objetivos educacionais. Queremos chegar aos estudantes com um conteúdo de qualidade e um formato atraente - diz John Makison, presidente mundial da Penguin.

A coleção de clássicos da editora já circula em chinês e coreano. A edição de títulos em português amplia a busca de parcerias em economias emergentes, a exemplo das que foram feitas na China e na Índia.

O selo vai começar com 12 títulos, sendo os primeiros "O príncipe", de Maquiavel; "Memórias de um sargento de milícias", de Manuel Antônio de Almeida; "Essencial", volume de histórias de Jorge Amado; e um livro de pesquisa histórica, "O Brasil Holandês", de Evaldo Cabral de Mello.

Todos os títulos de ficção e os clássicos de filosofia ou história vão ter preparação editorial sob supervisão de um especialista universitário.




Os livros brasileiros têm preços mais caros, se comparados ao mercado internacional, porque as nossas tiragens são muito pequenas. As tiragens desta coleção começam com quatro mil exemplares, e estaremos trabalhando em escolas para tornar a distribuição acessível aos estudantes - diz Luiz Schwarcz, diretor da Companhia.
A parceria vai ter mão dupla: a Penguin planeja lançar uma coleção de novos autores africanos, muitos de língua portuguesa, e a Companhia das Letras vai ajudar na tradução dos títulos e na produção de notas e prefácios. Além disso, a Penguin vai lançar em breve uma tradução de "Os sertões", de Euclides da Cunha.

Pensamos numa parceria que possa ser proveitosa para ambos: queremos aprender com a experiência editorial da Companhia das Letras e gostaríamos de passar para os brasileiros alguns dos recursos editoriais que têm sido úteis em mercados como os EUA e o Reino Unido. Pretendemos inclusive, no futuro, estender esta parceria ao e-book, à medida que este mercado for crescendo no Brasil - afirma Makinson.

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