terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Torre Negra no gibi é uma minissérie em sete partes que serve de prólogo à série homônima escrita por Stephen King e que tem exatamente esse mesmo número de livros.

Foram mais de duas décadas de trabalho até que o trabalho fosse finalizado.
Mas pelo jeito valeu a pena. O próprio King considera A Torre Negra sua obra-prima e dá a entender durante a série que esta é a história que ele foi destinado a contar, daí sua demora em concluí-la.

A Torre Negra é uma história bastante instigante. Ao longo de suas mais de 4 mil páginas distribuídas em sete volumes, King cria uma atraente mistura entre elementos do faroeste estadunidense e a mitologia britânica – especialmente focada nas lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda – e o trabalho de J.R.R. Tolkien.

Não há coincidências no fato do protagonista da série – o Pistoleiro Roland Deschain ou Roland de Gilead – ter vindo de uma dimensão paralela à nossa, conhecida como “Mundo Médio” (em oposição à “Terra Média” de Tolkien).

Além disso, King também tirou alguma inspiração dos westerns italianos da década de 1960, especialmente aqueles dirigidos por Sérgio Leone. Segundo o escritor, quando pensava na concepção de Roland, a imagem que tinha em sua cabeça era do ator Clint Eastwood na trilogia de filmes dirigidos pelo cineasta italiano.

Finalmente, não podemos esquecer de mencionar o poema “Childe Roland à Torre Negra Chegou”, de Robert Browning, inspiração inicial para todo o trabalho. Esse poema, inclusive, foi incluído como um apêndice no último volume da série.

Desnecessário dizer que, sendo um trabalho de Stephen King, o terror e auto-referências estão presentes.

E no caso de A Torre Negra elas aparecem de maneira exuberante, para a alegria dos fãs de longa data do escritor, que se deliciam justamente tentando descobrir cada uma delas.




A trama de A Torre Negra conta a história da busca de Roland pela tal torre do título. O local é muitas vezes descrito como uma estrutura real e também uma metáfora.


Um dos objetivos da missão pessoal de Roland é descobrir qual a verdade sobre ela. Na história, ele é muitas vezes chamado simplesmente de “O pistoleiro”, já que é o último membro vivo de uma dinastia de cavaleiros conhecida como “Os pistoleiros”.


Pense nos Cavaleiros da Távola Redonda carregando dois grandes revólveres ao invés de espadas e escudos e você terá uma idéia do que estou falando.


O mundo no qual ele vive é bastante diferente do nosso, apesar de alguns elementos comuns.


Politica e economicamente organizado ao redor de uma estrutura feudal, ele possui algumas características, especialmente culturais e tecnológicas, relacionadas ao velho oeste estadunidense, ao mesmo tempo em que apresenta elementos místicos e tecnológicos vindos de uma sociedade muito avançada, ainda que antiga e extinta.


A Torre à qual Roland busca é um edifício lendário que é dito ser o nexo de todas as realidades ou, pelo menos, estar localizado nele.

Trata-se de um lugar físico que se localiza no centro dos doze feixes que sustentam a realidade. Cada um desses feixes é agrupado em pares e em cada uma das pontas há a representação de um animal.

Assim, os principais feixes são divididos da seguinte maneira: Feixe do Urso-Tartaruga; Cavalo-Cão; Rato-Peixe; Elefante-Lobo e Leão-Águia.



A maioria deles, pelo menos quatro, estão irremediavelmente perdidos quando Roland começa sua busca. Os dois que ele consegue salvar, no entanto, são o suficiente para impedir que a realidade colapse sobre si própria.


Ao longo de toda a série é dito que o mundo de Roland “seguiu adiante” e ele mesmo parece estar se desfazendo. No início, tudo relacionado à Roland é cercado por mistério. Nem mesmo podemos ter certeza da cor da camisa que ele usa.


Mas a cada o virar de página os mistérios relacionados ao pistoleiro vão sendo revelados. A obsessão de Roland pela Torre começou quando ele tinha 14 anos e viu dentro de um dos vidros do mago que esse era seu destino.

Caberia à Roland de Gilead chegar à Torre e impedir que o Rei Rubro a destruísse, levando a realidade consigo. Ao longo de sua busca, Roland atravessa portais mágicos que o permitem transitar por mundos e realidades paralelas recrutando - na maioria das vezes de maneira forçada – pessoas que podem ajudá-lo em sua busca.


Todos eles terão um destino trágico antes da busca de Roland ser concluída. O pistoleiro sabe disso e uma parte ínfima de si preocupa-se com isso. O resto, no entanto, tem apenas a Torre como objetivo.

Para dar um senso mais “real” ao Mundo Médio, King seguiu o exemplo de Tolkien e criou uma linguagem particular para seus personagens, especialmente aqueles advindos do mundo de Roland. Essa linguagem se resume a poucas expressões, como “Sai” (Senhor/senhora), Dan-Tete (Pequeno rei), e Can-Toi (homens/mulheres baixos), além do termo “Ka” e suas variáveis, como “Ka-tet”, que significa “destino”.Esse termo, no entanto, se origina da mitologia egípcia.


Ao longo da série diversos outros personagens se juntam à sua busca, formando o tal do “Ka-tet”, ou seja, um grupo unido pelo destino com o mesmo objetivo. Os principais deles são: Jake Chambers Jake é um nova-iorquino nascido em 1977.


Quando tinha 11 anos, ele foi assassinado por Walter das Sombras, naquela época conhecido como Jack Mort, e acaba indo parar no mundo de Roland. Jake reapareceria mais tarde como o resultado de um paradoxo.


No segundo livro, A Escolha dos Três, Roland impede que Jack mate Jake como ocorreu em O Pistoleiro. Isso cria uma segunda linha de tempo, afinal, mesmo que Jake não vá parar no Mundo Médio, já que não morreu, ele se lembra de sua morte tanto em NY quanto no mundo de Roland. Da mesma forma, Roland também tem essas lembranças e elas ameaçam deixar ambos insanos.


Em As Terras Devastadas, terceiro livro da série, Roland e seu Ka-tet descobrem uma maneira de trazer Jake para o Mundo Médio, fazendo com que as lembranças dele e de Roland se fundam e ambos recuperem sua sanidade.


Isso faz com que o pistoleiro e o pré-adolescente criem um forte laço, ao ponto de Roland passar a considerar Jake seu filho. Jake acaba morrendo novamente – e definitivamente – no sétimo livro da série, A Torre Negra, quando salva Stephen King (sim, ele tornou-se um personagem de sua própria série) de ser atropelado por uma van.


Uma versão alternativa de Jake é encontrada por Susannah Dean mais tarde, em um outro mundo paralelo.


Eddie Dean Eddie é o segundo – e mais irrascível – membro do Ka-tet de Roland e se junta ao pistoleiro no segundo livro da série, A Escolha dos Três.


Eddie é proveniente da mesma Nova York de Jake, mas de uma época diferente. Seus caminhos se cruzam quando Eddie servia de mula para traficantes de cocaína.


Viciado em heroína, ele é forçado pelo pistoleiro a segui-lo ao Mundo Médio e sofre todas aquelas crises de abstinência pelas quais passam drogados em reabilitação.

A princípio odiando o pistoleiro por uma série de motivos – especialmente pelo fato de Roland impedi-lo de voltar ao seu mundo para mais uma dose – Eddie acaba se tornando seu braço direito.

Eventualmente ele acaba apaixonando-se e se casando como Susannah. É aí que ela adota o sobrenome dele, Dean. Lá, além de Jake, ela encontra uma versão muito similar ao “seu” Eddie. Nesse mundo, no entanto, Eddie e Jake são irmãos e seu sobrenome é Toren (uma variação de “Tower”, “Torre” em inglês).




Susannah Dean (ou Odetta Holmes ou Detta Walter) também vinda de Nova York, mas da década de 1960, Susannah desenvolve uma variação de esquizofrênia (que lhe dá dupla personalidade), conseqüência de duas catástrofes em sua vida: uma concusão na cabeça causada por uma pedra atirada contra ela quando criança e um evento bizarro no qual perdeu as pernas dos joelhos pra baixo.

Inicialmente sua personalidade dominante é Odetta Susannah Holmes, uma mulher educada e de bons modos, herdeira de uma fortuna (seu pai desenvolvera um método dentário revolucionário) e defensora dos direitos civis.

De tempos em tempos, no entanto, quem assume o controle é Detta Susannah Walker – uma mulher psicótica, astuta, violenta e incontrolável.

Eventualmente Roland faz com que as duas se mesclem em uma única personalidade, da qual resulta Susannah Dean, que consegue acessar e controlar de maneira razoável as melhores qualidades de Odetta e Detta e usá-las quando necessário.

Oi Oi é o membro mais simpático do Ka-tet de Roland. Ele é um “Zé-Trapalhão” mistura de cachorro com quaxinim – e outros animais – que é encontrado por Jake durante os eventos de As Terras Devastadas.

Quando é encontrado por Jake, Oi estava ferido e os dois logo desenvolvem um grande laço afetivo. Roland explica que antigamente os zé-trapalhões eram comuns no Mundo Médio e muitos deles eram capazes de falar e mesmo resolver problemas matemáticos básicos. Oi, no entanto, consegue falar muito pouco, geralmente repetindo as últimas palavras que lhe são ditas. Seu entendimento do que se passa ao redor, no entanto, é quase humano.

Ao longo da série, Oi desenvolve sentimentos humanos, especialmente um grande senso de lealdade para com Jake e Roland.

Por mais de uma vez, Oi lutou e salvou a vida de Jake.

O Pistoleiro começou a ser publicado como uma série de contos em 1977.

O primeiro livro, no entanto, foi editado apenas em 1982;

A Escolha dos Três, em 1987

As Terras Devastadas, em 1991

Mago e Vidro, em 1997

Lobos de Calla, em 2003

Canção de Susannah, em 2004

A Torre Negra, em 2004

Isso nos EUA.

No Brasil a série foi lançada pela editora Objetiva em um espaço de 3 anos, começando no segundo semestre de 2004 e terminando no primeiro semestre de 2007.

2 comentários:

thegunslinger disse...

Ótimo resumão/crítica sobre as obras da Torre Negra de Stephen King. Gostei =)

Paula disse...

uuuffaaaa!!