segunda-feira, 27 de julho de 2009


O debate já existe há algum tempo.


A Lei do Preço Único, adotada em países europeus em 1888, está em pauta no Brasil desde 2000.


O assunto volta à tona com uma audiência pública promovida pela Frente Parlamentar Mista de Leitura nesta quinta-feira, 2/4, na qual se pretende analisar as vantagens e desvantagens da lei como instrumento de regulamentar a venda de livros no país.


As propostas de mudança pretendem fixar não só o valor dos livros, como também os descontos dados por todo o mercado editorial, inclusive pelos sites de venda.


Entidades a favor da lei afirmam que a concorrência entre livrarias é desleal, já que as grandes podem dar mais descontos. Isso porque as redes de livrarias compram geralmente quantidades maiores de livros e conseguem valores melhores pelo montante.


Além disso, elas têm a possibilidade de compensar as promoções na venda de outros títulos que têm maior saída, como os best-sellers. "O principal ponto que defendemos é a manutenção das livrarias, principalmente das de pequeno e médio porte.


Muitas fecham depois de muito pouco tempo por não conseguirem se manter no mercado, sobretudo por conta de uma concorrência agressiva, que vem tanto das grandes livrarias, que cedem muitos descontos, quanto de sites que fazem promoções praticamente impossíveis de concorrer", explica o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Vitor Tavares.


A concorrência agressiva a que Tavares faz referência tende a acontecer de forma mais intensa com os títulos recém-lançados, já que os livros fresquinhos têm maior saída do que os que já estão há algum tempo na prateleira. A proposta de lei estipula o preço fixo apenas para lançamentos e por um período determinado de tempo.


"Os livros de catálogo não teriam os preços regulados e, portanto, poderiam ser vendidos com descontos", esclarece o presidente da ANL.


O Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) e algumas entidades de defesa do consumidor, no entanto, enxergam a proposta como um retrocesso.


"O livre comércio do mercado de livros tem de ser respeitado, como em outras áreas da economia.


Se esse projeto de lei for aprovado, quem sai perdendo é o consumidor, que deixaria de ter oportunidades de desconto", diz Antonio Laskos, gerente executivo da SNEL.


Na opinião dos que são contra a medida, o único que sairia perdendo com a aprovação é o consumidor final, ou seja, o leitor.


Como qualquer empresa privada, as livrarias visam o lucro, e, por vezes, os descontos são uma forma de conquistar vendas.


"Quem consegue oferecer oportunidades melhores aos consumidores leva vantagem; é assim que funciona o mercado livre de regulamentações", afirma o gerente da SNEL.


"Quem motiva esta discussão em torno de um preço fixo para os livros são as pequenas livrarias, que não conseguem dar desconto, ou não dar na mesma proporção que concedem grandes livrarias ou sites.


A internet veio aquecer esta questão, principalmente porque está movimentando o mercado", completou.


-> O gerente da SNEL Antonio Laskos, nunca teve uma pequena livraria, então não sabe como é ter de pagar além do aluguel + despesas com funcionários, o frete ( fora de sp ) e ainda ter que brigar com gigantes como a Submarino, Americanas, Saraiva e Siciliano que tem em sua prática de dia-a-dia o dumping....


Dumping é uma prática comercial, geralmente desleal e injusta, que consiste em uma ou mais empresas de um país venderem seus produtos por preços extraordinariamente abaixo de seu valor justo para outro país (preço que geralmente se considera menor do que o que se cobra pelo produto dentro do país exportador), por um tempo, visando prejudicar e eliminar os fabricantes de produtos similares concorrentes no local, passando então a dominar o mercado e impondo preços altos.


E outras empresas que não praticam o dumping, mas que tem frete zero ou outro tipo de vantagem que as pequenas livrarias não conseguem cobrir.


Em meus dias de representante na Distribuidora Superpedido ( www.superpedido.com.br ) visitei inúmeras livrarias no interior de sp que eram amplamente prejudicadas pela falta de profissionalismo das .com e também das próprias editoras que aceitam esse tipo de prática.


Outra coisa que prejudicará o mercado livreiro é que se as pequenas livrarias sumirem ficaremos reféns das megas-livrarias com o seu atendimento deficiente e ambeinte impessoal, para se ter uma idéia da ganância dos empresários livreiros, o salário inicial da Livraria Cultura na minha época era de R$ 1.500,00 hoje em dia não passa de R$ 1.000,00 o que atrapalha e muito a qualidade do atendimento, aliás, o giro de funcionários nessa rede é muito alto.


Acho que o preço único é importante porque o livro é o mesmo em todas as livrarias, o que faz um cliente voltar é o atendimento, a importância dada pelo funcionário ao assunto tratado com o cliente, a sugestão de mais livros específicos, é importante o funcionário sabero nome do cliente assíduo de uma livraria, o que ele gosta, o que ele espera sobre os lançamentos.


Muitos colegas na Livraria Cultura mantinham um arquivo com os principais clientes e seus gostos específicos, e assim que um lançamento da área chegava na livraria, o cliente recebia um e-mail com informações do livro.


Infelizmente essa prática é quase inexistente em lojas do porte da Cultura.


E você, acredita que os livros devem ter um preço único ?

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