quarta-feira, 17 de junho de 2009

Simmel e a sociedade. . . .

Segundo Georg Simmel, a sociedade é produto das interações entre os indivíduos (concebidos como atores sociais).

Dentro dessa perspectiva, o conceito de sociedade também muda, pois, na concepção corrente, uma sociedade é uma unidade que está limitada a um determinado território ou localidade.

Mas, para Simmel, uma sociedade toma forma a partir do momento em que os "atores sociais" criam relações de interdependência ou estabelecem contatos e interações sociais de reciprocidade.

Desse modo, as fronteiras e limites de uma sociedade são difusos e extremamente transitórios.

Neste ponto, é possível identificar alguma aproximação ou concordância de Simmel com as abordagens sociológicas de Norbert Elias (1897-1990).

Concebendo a sociedade como produto das interações individuais, Simmel formula o conceito de "sociação" para designar mais apropriadamente as formas ou modos pelos quais os atores sociais se relacionam.

É importante destacar que as interações sociais e as relações de interdependência não representam, necessariamente, a convergência de interesses entre os atores sociais envolvidos.

Em seus estudos microsociológicos, Simmel demonstra que as interações sociais podem prefigurar relações conflitivas, relações de interesse mútuo e relações de subordinação (ou dominação).

O conflito, porém, é concebido por Simmel como algo benéfico porque é um momento que sinaliza o desenvolvimento da tomada de consciência individual, que teria uma função positiva para sociedade como um todo, principalmente à medida que o conflito fosse superado, mediante acordos.

O ensaio intitulado "A filosofia do dinheiro" ("Philosophie des Geldes") foi publicado no ano de 1900 e é considerado um estudo representativo da perspectiva sociológica adotada por Simmel.

Neste estudo, Simmel procurou compreender quais as consequências da invenção, introdução e difusão social desse meio de troca (simbólica).

O dinheiro alterou enormemente as relações sociais, provocando efeitos que convergiram para a individualização (ou individualismo) numa fase da história em que as relações tradicionais ou pré-modernas (que se referem ao período do declínio do modo de produção feudal na Europa) estavam em vias de serem superadas pela emergência do modo de produção capitalista.

A difusão do dinheiro provocou uma série de conflitos na ordem social baseada nos costumes e nas relações pessoais, mas, como demonstra Simmel, o dinheiro era reflexo da transformação das interações sociais tradicionais que estavam se dissipando.

O dinheiro carrega o simbolismo do "impessoal", do "racional" e do "individualismo" e se ajusta à modernidade que estava surgindo no mundo ocidental capitalista.

O dinheiro desfez determinados tipos de dependência que se caracterizavam pela pessoalidade, mas criou outros, que se caracterizam pela impessoalidade.

Conforme demonstrou Simmel, a relação de tipo monetária que se tornou predominante na época moderna representa o patamar máximo da individualização humana.

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