sábado, 18 de abril de 2009

جبران خليل جبران



Gibran Khalil Gibran nasceu na cidade de Bicharry que fica a mil e quinhentos metros do nível do mar e 125 km de Beirute. A cidade é coberta pela sombra do cedro milenar e está localizada acima de um abismo que desce entre as ravinas do famoso vale Wadi Qadisha como se fosse uma escadaria suspensa nos galhos de álamos e salgueiros.

Até a descrição de sua cidade natal é povoada de poesia, nascido em 1883 em um Líbano ocupado pelos otomanos e esmagado pelos latifundiários ricos com seus cavalos de raça e palacetes, enquanto a população vivia em completo desespero.

Sua mãe Kemilah morou no Brasil em 1877 com o primeiro marido e tiveram um filho chamado Pedro mas com a morte de seu esposo, Kemilah retornou ao Líbano onde casou-se com Khalil e desse casamento nasceu o poeta.

Apesar da situação financeira difícil da família, Gibran foi enviado para a escola da cidade, como a região era da seita maronita era obrigatório o estudo do assírio, mas Gibran teve sorte de ter como professores padres italianos carmelitas que o apresentaram às obras de Michelangelo e Leonardo Da Vinci, mais tarde eles seriam sua maior influência.

Anos mais tarde, quando seu pai caiu em desgraça com o governante da cidade e sua família fugiu para os EUA onde se instalaram no bairro chinês em Boston onde existia uma grande colônia libanesa.

Na cidade Gibran conheceu Fred Holand Day que se tornou padrinho artístico do poeta, apresentando diversos artistas e intelectuais inclusive para a poetisa Josefina que passou a ajudá-lo comprando suas telas.

Gibran voltou ao Líbano para aperfeiçoar seus estudos em árabe, indo estudar no famoso colégio El Hikmat, sendo auxiliado e inspirado pelo padre Hadad que indicava inúmeros livros para que Gibran ampliasse seus conhecimentos. O poeta permaneceu no Líbano por 4 anos.

De novo em Boston, sua mãe e seu irmão morrem em 1903.

Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer (O Emigrante), jornal árabe publicado em Boston, seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atrai-lhe a atenção do mundo árabe.

Uma exposição de seus primeiros quadros desperta o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskell, que lhe oferece custear seus estudos artísticos em Paris, vai estudar na Académie Julien, trabalhando freneticamente, frequentando museus, exposições, bibliotecas.

Conhece Auguste Rodin, nesse período uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. Em 1910 volta a Boston e, no mesmo ano, muda-se para NY, Mariana, sua irmã, permanece em Boston. Em Nova York, Gibran reúne em volta de si diversos escritores libaneses e sírios que, embora estabelecidos nos Estados Unidos, escrevem em árabe com idênticos anseios de renovação.

O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al-Kalamia (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes. Seus porta-vozes foram, sucessivamente, duas revistas árabes editadas em Nova York:

Al-Funun (As Artes) e As-Saieh (O Errante).

Entre 1905 e 1920 Gibran escreve quase que exclusivamente em árabe e publica sete livros nessa língua:


  • 1905 A Música
  • 1906 As Ninfas do Vale
  • 1908 Espíritos Rebeldes
  • 1912 Asas Partidas
  • 1914 Uma Lágrima e um Sorriso
  • 1919 A Procissão
  • 1920 Temporais.
(Após sua morte, será publicado um oitavo livro, sob o título de Curiosidades e Belezas, composto de artigos e histórias já aparecidas em outros livros e de algumas páginas inéditas).

Entre 1918 e 1931, Gibran deixa de escrever em árabe e dedica-se ao inglês, no qual produz também oito livros:
  • 1918 O Louco
  • 1920 O Precursor
  • 1923 O Profeta
  • 1927 Areia e Espuma
  • 1928 Jesus, o Filho do Homem
  • 1931 Os Deuses da Terra
Após sua morte serão publicados mais dois: 1932 O Errante / 1933 O Jardim do Profeta.

Todos os livros em inglês de Gibran foram lançados por Alfred A. Knopf, dinâmico editor norte-americano com inclinação para descobrir e lançar novos talentos. Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas.

Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes com êxito em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

Em 10 de abril de 1931 Gibran morre no Hospital São Vicente, em Nova York, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.


Uma curiosidade :


O título do livro Uma Lágrima e Um sorriso foi uma frase dita pelo seu primeiro amor.

Com 18 anos Gibran conheceu Hala El Daher e os dois se apaixonaram à primeira vista, mas não puderam se casar por serem de famílias de níveis sócio-econômicos distintos, mas durante a despedida Hala vendo Gibran triste por não poder desposá-la disse : " Não se entristeça, a vida é assim, uma lágrima, um sorriso".


Depois da proibição se encontraram diversas vezes escondidos e antes de Gibran voltar aos EUA, juraram amor eterno e que nunca se casariam, e assim cumpriram a promessa, Gibran morreu aos 48 anos, solteiro e Hala faleceu em 1955.


Em seu funeral no Líbano, uma mulher vestida de preto, com o rosto pálido e olhos cheios de lágrimas ajoelhou-se e beijou o ataúde.


Era Hala, que passou o dia velando o caixão e foi reconhecida pela irmã de Gibran, Mariana.


Texto : Marcello Lopes

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