quarta-feira, 22 de julho de 2015

Biblioteca Skärholmens - No subúrbio de Estocolmo - Suécia

A biblioteca de Skärholmens está localizada no interior de um shopping center.

Localizada bem próximo a uma praça e na saída do metrô.

A biblioteca apresenta uma seleção de livros e jornais em inglês, francês, espanhol, turco e árabe e uma pequena quantidade de livros em português.

Na biblioteca é possível agendar um horário com o bibliotecário para uma pesquisa mais detalhada ou para respostas que necessitam de uma compreensão maior por parte do funcionário. 

Na biblioteca é possível reservar salas para grupos de estudo.

E há um serviço para ajudar os usuários em período escolar com a lição de casa. 

Para aqueles que querem aprender o sueco, existem estúdios com dicionários, computadores e programas didáticos para o aprendizado da língua, os usuários podem reservar as estações de estudo por 2 horas, feitas através do cartão da biblioteca.












Fotos: Peter Janzon
Publicado inicialmente aqui

terça-feira, 14 de julho de 2015

Veja 8 grandes hábitos para melhorar muito o seu rendimento nos estudos

Quanto maior o uso do cérebro humano, a capacidade de aprendizagem é potencialmente ampliada. As pessoas com essa taxa maior costumam ser aquelas que têm facilidade de aprender rapidamente sobre qualquer assunto. No entanto, muitos não sabem como atingir esse estágio educacional, mesmo interessando-se por ele. Assim, se você quer aprender rápido, confira as dicas:

1 – Não tenha medo de dizer que não sabe

Você poderá compreender de fato um conteúdo quando admitir que não entendeu tudo que foi explicado. Selecione os pontos que não ficaram claros e busque os professores para solucionar os problemas. Essa atitude é muito saudável para o seu desenvolvimento escolar.

2 – Simplifique

Você precisa tentar simplificar ao máximo a resolução dos problemas que tiver que enfrentar. Mesmo que o caso seja complexo, reflita sobre como você pode fazer para tornar tudo mais fácil e conseguir um resultado positivo.

3 – Aprenda quando parar

Estudar sem parar não é sinônimo de bom rendimento e, por isso, você precisa conhecer seus limites. O estudo excessivo pode cansar a mente e, consequentemente, diminuir suas capacidades de raciocínio. Por isso, entenda qual seu ponto de ótimo rendimento e qual o oposto e respeite-os.

4 – Entenda que algumas perguntas não têm respostas

Provavelmente enquanto estiver estudando, se deparará com questões que as respostas ultrapassam a complexidade que você consegue entender. Por isso, não fique frustrado!

5 – Explique o tema para outras pessoas

Para ter certeza de que aprendeu tudo, dê uma espécie de aula para algum colega. Agindo dessa maneira, você é capaz de perceber quais tópicos precisa estudar mais, além de reforçar a fixação do conteúdo.

6 – Seja positivo

Tente sempre enxergar o lado bom dos estudos e não se incomode com a quantidade de esforços que precisará mobilizar para tal. Pense sempre que você terá resultados no futuro, que farão os desafios valerem à pena.

7 – Peça ajuda

Tenha consciência de que algumas pessoas sabem mais do que você e, por isso, não tenha vergonha de pedir ajuda para elas. O contato com novas visões é essencial para que você consolide seu conhecimento. Além disso, você pode utilizar de ferramentas online para tentar melhorar seu rendimento escolar.

8 – Seja seletivo

Não se contente com qualquer tipo de respostas que te fornecerem. Sempre avalie a veracidade das informações e, se possível, cheque em mais de uma fonte. Assim você diminuirá as chances de estudar uma informação possivelmente errada.

Fonte: Universia Brasil

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Por que quem lê tem mais chances de alcançar o sucesso profissional?

A leitura é um hábito essencial na vida das pessoas para que entrem em contato com novos assuntos e consigam criar um bom senso crítico. Mas você sabia que pessoas com hábito de ler tendem a ser bem-sucedidas profissionalmente? Assim, investir na leitura é o primeiro grande passo para chegar ao sucesso.

A seguir, confira motivos por que os leitores têm mais chances de conseguir um bom futuro profissional do que as outras pessoas:

1 – Aumenta o foco

As pessoas que gostam de ler costumam não conseguir abandonar o livro que têm em mãos, porque desejam muito saber qual o final da obra. Os bem-sucedidos agem da mesma forma: mantém o foco até atingirem a meta que se propuseram. Como estão acostumados com isso no âmbito da leitura, a transferência para o universo profissional é mais simples.

2 – Faz com que o indivíduo estabeleça objetivos

Quando um leitor inicia um livro, estabelece metas, como a quantidade de páginas que lerá por dia ou o prazo em que deverá ter finalizado a leitura. Assim, essas pessoas costumam ser bem-sucedidas, porque carregam a mesma característica para os trabalhos que precisa desenvolver no trabalho. Eles se mantêm dentro de uma estratégia que fará com que alcancem os objetivos.

3 – Gastam o tempo de maneira inteligente

Os leitores costumam aproveitar todos os momentos livres que têm para ler mais um pouco como, por exemplo, no transporte público. Assim, no ambiente de trabalho, planejam todas as atividades para que as realizem da maneira mais rápida e eficiente possível.

4 – Têm perspectiva

Como leem muitos tipos de livros, essas pessoas conseguem enxergar a realidade por vários ângulos diferentes. Torna-se, então, mais fácil de criar estratégias que funcionem, além de resolver os problemas muito mais rapidamente.

5 – Refletem muito

Ao entrarem em contato com diferentes tipos de leitura, as pessoas aumentam a capacidade de refletir profundamente sobre diversos assuntos. Assim, transferem essa característica para o âmbito profissional e, consequentemente, pensam em soluções para os problemas mais rapidamente que as pessoas que não possuem o hábito de leitura.

6 – Têm boas habilidades de escrita e leitura

Ler e escrever são duas funções intrinsecamente ligadas e, por isso, quando uma melhora a outra tende a melhorar também. Dentro das empresas, independentemente da área de atuação da pessoa, é comum que a comunicação por meio da boa escrita seja valorizada. Além disso, ler com atenção faz com que as pessoas compreendam melhor as atividades que precisam realizar.

7 – Aumentam a memória

Quanto mais você lê, maior sua capacidade de memorizar informações. O cérebro humano pode armazenar infinitos dados, mas precisa ser estimulado para tal e a leitura é capaz de proporcionar esse fato. Assim, você conseguirá reter melhor o que for falado no trabalho, dificultando as chances de você esquecer-se de alguma atividade importante. Ler é um exercício que deveria ser feito todos os dias, para que o leitor consiga tirar o máximo de proveito possível da situação.

8 – São informados

A leitura faz com que as pessoas fiquem mais informadas sobre o mundo ao redor: os noticiários o mantém por dentro de tudo que acontece e os livros fazem com que entenda pensamentos da época em que foram escritos, podendo relacionar literatura e história. No mercado de trabalho, as pessoas bem informadas são valorizadas e, por isso, é ideal que você invista para criar hábitos de leitura. Mesmo que não goste muito, tente ao menos entrar em contato com notícias.

Publicado na Universia Brasil

segunda-feira, 11 de maio de 2015

John K. King - Livraria




Um jornalista espanhol em um artigo disse que a livraria John K King poderia ser usada como inspiração para o escritor Carlos Ruiz Zafón em uma continuação do livro A Sombra do Vento, pois a livraria se parece e muito com o cemitério dos livros perdidos.

Localizada em uma antiga fábrica construída nos primeiros anos do século XX, pintada de azul celeste, esse edifício de ladrilho guarda a livraria especializada em livros usados e raros, alguns deles com relativo valor.






A blogueira de Detroit fez uma visita à livraria











A John K King é a mais antiga e maior livraria de usados e raros de Detroit, são 4 andares + o porão repletos de livros de todos os tipos, gêneros.

Nas prateleiras há diversos avisos com a exata localização dos gêneros e diversas banquetas para se alcançar as prateleiras mais altas.






















sexta-feira, 8 de maio de 2015

8 de Maio – Dia da Vitória!

Depois da assinatura, o general Jodl (centro), levantou-se, pediu permissão para falar e em alemão disse: “Com esta assinatura o povo Alemão e as forças armadas alemãs entregam-se, para bem ou para mau, em mãos dos vencedores. Nesta guerra que durou mais de cinco anos, o povo e as forças armadas foram capazes de realizar gestos memoráveis, sofrendo talvez mais que qualquer outro povo no mundo. Nesta hora só posso expressar a esperança de que os vencedores lhes tratem com espírito generoso”.


A intenção dos libertadores era tornar o dia 9 de Maio de 1945 o Dia da Vitória na Europa, porém a notícia, de alguma forma, vazou, e em poucas horas, por vários pontos do Continente, jornais, folhetins e rádios anunciavam a captulação total das forças do Eixo na Europa. A notícia caiu como uma chuva depois de longo período de seca.

Para os brasileiros que lutavam na Itália o Dia da Vitória chegou mais cedo.

Com Mussolini capturado e morto pelos partigiani em 28 de Abril de 1945 e, enfim, o suicídio de Adolf Hitler no dia 31 de Abril de 1945, o Eixo Roma-Berlim desaparecia.

No dia 2 de Maio de 1945 às 14 horas, as forças alemãs que resistiam na Itália se renderam ao IV Corpo de Exército, do qual fazia parte a FEB, resultado de negociações secretas, onde o General alemão Schlemmer assinou um termo de rendição no Quartel General do IV Corpo.

Declarava-se, então, 2 de Maio de 1945, O Dia da Vitória na Itália. Foi um período de ocupação em que os brasileiros saborearam diferentes manifestações do povo libertadado, até o dia da esperada notícia.

Após confirmada a libertação, os brasileiros, assim como todos os libertadores, queriam desfrutar sua glória, mas a realidade era bem diferente.

No Livro “A Casa das Laranjas” (2009) Moura e um Sargento queriam se despedir da população que libertaram, mas os camponeses não foram receptivos.



“Moura resolveu dar uma passada por Riola e despedir-se de Ida. Não teve dificuldades em desgarrar do comboio que cortava a Itália de norte a sul. Estava acompanhado de um sargento que também tinha seus motivos para voltar ao Vale do Reno. Após horas de estrada, já de noite, chegavam próximo a Porretta, onde pretendiam dormir. 

Avistaram, em meio ao campo, um casarão iluminado de onde vinha música. Era algo fascinante após tantos meses de blecaute, em que as noites eram tristes e o silêncio interrompido apenas por explosões.

Não foi necessário acordo. Seguiram decididos ao que parecia ser diversão garantida. Pararam o jipe, saltaram e entraram timidamente ao amplo galpão, onde corria um animado baile de camponeses. Foram logo notados e os olhares não eram receptivos. Ficaram em um canto, achando que seriam tolerados e acabariam por entrosar-se. 

Mas as primeiras palavras que lhes dirigiam, ainda não compreensíveis no sentido exato, eram de evidente animosidade. Às palavras seguiram-se gestos, ainda mais inequívocos, para que fossem embora. Aqueles contandini, tão gentis em outras ocasiões, os olhavam com ódio. A guerra acabara e os liberatori de ontem não eram bem-vindos, pois já faziam parte de um passado que todos queriam esquecer.

Eram homens fardados a quem muitos daqueles pais tinham vendido a honra de suas filhas em troca de rações de alimento. Não tinham lugar no retorno a uma vida digna. (Faria, 2009, p. 214-215)

Porém, após alguns dias passados do Dia da Vitória, o povo italiano, que tanto sofreu durante os anos de ocupação, passou a ver os brasileiros como seus libertadores e demonstrar-lhes algum tipo de respeito e gratidão, como nos relata o veterano da FEB, Victório Nalesso em seu Livro “Diário de um Combatente”, 2005, p. 131.

“Pois bem, terminadas as festividades da Vitória, voltamos para o nosso acampamento. Lá ficamos sabendo que no dia seguinte haveria uma missa campal promovida e coordenada por autoridades religiosas, padres católicos brasileiros e italianos.

Todos os preparativos dessa grande cerimônia ficaram por conta da comunidade religiosa italiana. Lembro-me ainda que após a missa, centenas de meninos e meninas traziam buquês de flores brancas. Em ordem, as mesmas faziam entregas dessas flores aos soldados brasileiros debaixo de músicas e hinos executadas por um coral de muitas vozes.

A emoção foi tão forte, que chorei no momento em que uma menina entregou-me o buquê de flores e me abraçou.

Logo após a notícia do fim da guerra chegar aos ouvidos dos brasileiros, todos ficaram com um sentimento de que aquilo tudo poderia ser mentira, um engano ou ainda, uma piada de mal gosto, mas com os boatos crescendo, eram impossível não crer na vitória.

Dificil mesmo era fazer boa parte dos combatentes alemães desgarrados, esfarrapados, desarmados e abandonados por seus superiores acreditarem nisso, pois com a notícia, muitos não sabiam o que fazer, nem pra onde ir.

Até um coronel alemão, em dado momento ficou em dúvida sem aquilo era mesmo o fim da guerra, como nos mostra Joel Silveira em seu livro “O inverno da Guerra”, 2005, p. 170.



“Foi então que começou a cair uma chuvinha rala e fria – e também absolutamente neutra, pois molhava a todos nós, vencedores e vencidos. Imperturbavelmente, um coronel alemão, de nome Gunther Habecker, continuou como estava. Mas um sargento alemão, ao vê-lo exposto à chuva que engrossava, gritou qualquer coisa em alemão.

Logo um velho soldado destacou-se do resto do batalhão, trazendo um guarda-chuva. O sargento arrancou-o das mãos do soldado, pulou para o assento de trás do pequeno carro do coronel e abriu sobre sua cabeça.

O coronel Gunther, comandante de Artilharia. repetiu um conhecido gesto, erguendo a mão que segurava a luva de couro, e o seu carro pôs-se novamente em movimento. Ao roçar nosso jipe, fez uma espécie de continência, à qual o meu motorista, um enfezado e exausto terceiro-sargento, respondeu com um sonoro palavrão em português.”

“Não havia dúvida: a guerra tinha acabado, definitivamente. Tudo indicava isso: o prosaico guarda-chuva aberto sobre a cabeça do coronel alemão, sua continência vaga (mais cumprimento do que continência) e o indisciplinado palavrão do meu sargento – não restava dúvida: tais demonstrações tão à margem da ordem castrense eram a prova definitiva, a que me faltava, de que de fato A GUERRA CHEGARA AO FIM.”

Para nós, brasileiros, o Dia da Vitória, que é lembrado por uma minoria vergonhosa da população, com notas de 30 segundos em jornais, serve para não esquecermos que um dia cerca de 25.000 homens enfrentaram toda sorte de dificuldades, como o adestramento diminuto, armamentos precários, a falta de experiência em oposição a um inimigo calejado de batalhas, um terreno adverso e severas condições climáticas.

Esses homens lutaram contra a intolerância, contra a opressão, contra o totalitarismo escravista e a discriminação racial.

Devemos a esses homens, a vitória da liberdade, da democracia e da paz, conquistada e embebida em sangue de bravos brasileiros, que defenderam nossa honra e soberania com sua coragem, seus valores e seu patriotismo.

Se você conhece um veterano combatente, olhe-o nos olhos e diga-lhe “muito obrigado”. Ele certamente saberá do que você está falando.

Fonte: Portal FEB

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Conheça a cirurgiã de livros de Porto Alegre



Sílvia Breitsameter sentiu o peso da história quando viu em sua frente os rabiscos originais das obras de um de seus escritores favoritos, Erico Verissimo.

Em um instante, viajou para a primeira metade do século passado, onde pôde ver que o autor, que imaginara sério, era na verdade um engraçadinho.

Nos rascunhos de Fantoches, livro de contos lançado em 1932, ele destacou um trecho em que os protagonistas formam um triângulo amoroso e, em um cantinho, escreveu, à caneta e em letra cursiva: “O eterno triângulo, que nos tempos que correm está se transformando em polígono”.

Tocar neste pedacinho de relíquia, hoje envidraçada no acervo permanente do Centro Cultural Erico Verissimo, em Porto Alegre, não é para qualquer um. Sílvia teve esse privilégio porque exerce uma profissão que, por muitos — mas não por ela —, é enquadrada na categoria “em extinção”. Há 38 anos, ela é restauradora de livros.

— Sentir a personalidade do artista por meio de seus manuscritos e ver as dúvidas que ele tinha quando decide substituir uma palavra por outra é algo muito emocionante — diz Silvia, 55 anos.

Ela foi a responsável por limpar a sujidade (termo técnico para a famosa sujeira), recuperar os fragmentos rasgados, neutralizar a acidez do papel quebradiço e reforçar a costura das brochuras de Erico, em um trabalho cheio de minúcia e cuidado. 

Embora alguns exemplares cheguem às suas mãos mais parecendo um quebra-cabeças, um lema rege o conserto: invadir a obra o menos possível ou, sob outro ponto de vista, salvaguardar o original ao máximo.

Para isso, nada de materiais permanentes. Fotografias esgualepadas, outra demanda frequente em seu laboratório, ela restaura utilizando guache, uma tinta removível. Caso surja alguma técnica melhor no futuro, é possível retirar a pintura e aplicar algo mais adequado.

— Afinal, não fui eu quem fez a obra, mas me empenho em entregá-la mais bonita do que quando chegou — diz Silvia, especialista em Conservação e Restauração de Papel Couro e Pergaminho, pela Academia Europeia de Florença, na Itália, e professora desta mesma matéria na sua oficina, a Livro e Arte.

Sílvia é mesmo parte de um grupo seleto. Na Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (Aber), à qual é credenciada, são apenas 95 membros ativos — em 28 anos, nunca passou de cem.

A raridade de profissionais dá ao ofício ares de distinção. Quem mais poderia ter acesso, de pertinho, a gravuras originais de Dom Quixote, datadas de 1856, ou a exemplares do jornal O Noticiador, um dos pioneiros da imprensa gaúcha, que descrevia as sagas da Revolução Farroupilha?

Seria bom se desse tempo de ler tudo. Frente à tentação, Sílvia implementou uma metodologia curiosa na rotina da oficina: livros e publicações dessa singularidade são restaurados de cabeça para baixo.

— Senão, ninguém trabalha — brinca. — São materiais muito ricos.

Mas riqueza é um conceito relativo. Uma obra não precisa ser de alguém famoso para ter valor.

Livros de coleções particulares e álbuns de fotografia carregam um quê sentimental tão forte que Sílvia se debruça neles como se fossem seus.

No laboratório, há um armário de aço e uma porta corta-fogo para evitar qualquer incidente. 

Repousa na lista de espera, por exemplo, um compilado de atas e documentos históricos de um centro espírita septuagenário de Porto Alegre.

— Não há réplicas. Se aquilo se perde, se perde também a história desse lugar.

Não são só obras amareladas pelo tempo que chegam para o hospital de Sílvia. Tem bastante coisa nova que o cachorro comeu, que o bebê rasgou, que alguém deixou cair na lama.

Um cliente, por exemplo, teve toda sua biblioteca inundada durante uma enchente. Nesses casos, o material vai direto para o pronto-socorro.

Os reparos mais urgentes doem em Sílvia porque não há outra alternativa senão apelar aos produtos químicos. E quando aplicam-se os químicos, diz ela, a originalidade da obra se esvai um bocado. Mas, pelo menos, fica livre das doenças que não puderam ser saradas com trincha ou pincel.

Sílvia tinha 17 anos quando descobriu sua vocação. Fazia um curso de secretariado no Colégio Comercial Protásio Alves e estagiava no Instituto Estadual do Livro. No dia 23 de abril de 1977, participou, por acaso, de uma reportagem — de Zero Hora, aliás — sobre encadernação e restauração. Pronto. Apaixonou-se. Da paixão, a vontade incansável de requintar a técnica. 



O currículo da profissional é um sem-fim de cursos de aperfeiçoamento, desde preservação em papel até limpeza de superfícies, passando por encadernação flexível em pergaminhos de obras raras e tratamento de documentos em tinta ferrogálica (óxido de ferro + galha). 

Constaria, se existisse, um curso sobre recuperação de ingressos antigos. Como não há, Sílvia adaptou o que sabia para reconstituir o tíquete da inauguração do Beira-Rio, em 1969, a pedido de um rapaz que queria dar um presente ao pai.

O trabalho dela garantiu um momento de felicidade em família — algo do que se orgulha.

Para multiplicar o conhecimento, Sílvia ensina o que sabe para 27 alunos, que se dividem em três turmas. Tem seis funcionários que a ajudam a cumprir a demanda — atualmente, 50 materiais diferentes estão aguardando atendimento.

Leva, em média, 40 dias para entregar a obra pronta ao cliente.

O custo varia conforme o nível de estrago e o número de páginas. Para um senhor que chegou ao laboratório pedindo orçamento para um livrinho de família, amareladíssimo porém inteiro, cobrou R$ 35.

Mas há obras cujo valor de recuperação alcança os quatro dígitos.

Para qualquer caso, o procedimento é o mesmo: primeiro, a ficha técnica; depois, bisturi para alavancar as sujeirinhas, trincha para varrê-las e químicos, se necessário (descolar durex sem danificar a folha, por exemplo, só é possível com um líquido chamado xilol). 

Preferencialmente de luvas, para não engordurar as folhas. Nos tempos em que se discute a digitalização de tudo, estaria o ofício de Sílvia correndo risco de acabar? 

Ela responde puxando um Umberto Eco da estante. Título: Não Contem com o Fim do Livro.

— Não é porque veio o aspirador de pó que a vassoura vai deixar de ser usada. A tecnologia é maravilhosa para pesquisar, mas não para ler. Com um livro, não há risco de acabar a bateria ou dar pane e ter de resetar. 

O dedo é suficiente para virar a página e o cérebro é o nosso HD. Fora que os e-readers não têm aquele cheiro maravilhoso de livro. É um cheiro afetivo — opina a cirurgiã dos livros.



Matéria publicada no jornal Diário Gaúcho, pela jornalista Luísa Martins no dia 30/04/2015
Foto: Júlio Cordeiro/Agência RBS

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cultura do best seller e falta de livrarias restringem acesso à leitura

Finalmente enxergamos que é preciso regulamentar os mercados livreiro e editorial. É chegada a hora de tratarmos o livro não como uma simples mercadoria, mas sim como patrimônio cultural de uma nação. 

Enfim, o mercado percebeu que ter o comércio de livros nas mãos de poucos é extremamente comprometedor para a nossa rica bibliodiversidade e é um complicador para a nossa cultura.

A bibliodiversidade é uma preocupação do mercado livreiro com a formação do leitor. Trata-se de colocar à disposição uma maior variedade de títulos. Os grandes grupos editoriais e livreiros apostam na cultura do best seller. 

É claro que esses lançamentos mantêm muitas vezes o faturamento das livrarias, mas é necessário preocupar-se com a qualidade editorial e com a formação do leitor, que se dá por meio de bons livros clássicos.

Esses clássicos têm sido preteridos em virtude de terem um apelo comercial supostamente menor. A circulação dessas obras acaba sendo, de certa forma, esquecida, deixada de lado, para se priorizar as atualidades. 

Outra ameaça à bibliodiversidade é justamente a perda dos fundos de catálogo, os chamados de “cauda longa”. Esses não têm vendagem tão expressiva, mas são importantes e muitos estão esgotados, porque não há interesse de colocar em circulação livros com baixa vendagem.

Há mais de 10 anos a ANL defende a moralização do mercado livreiro brasileiro, indo muito além de estabelecer a Lei do Preço Fixo. Entendemos que a atuação do livreiro como agente literário pode contribuir muito para que possamos melhorar nossos precários índices de leitura. 

Para isto, é fundamental que todos que participam da cadeia produtiva, criativa e mediadora do livro valorizem a livraria do seu bairro, da sua cidade, e enxerguem nelas a possibilidade de formar novos leitores.

Não se pode negar, ainda, o avanço social por que passa o nosso país, a diminuição da desigualdade e o aumento da escolaridade, com acesso ao ensino em todos os níveis. 

Como complemento a essa ascensão cultural que vive o país, é necessário facilitar o acesso ao livro e à leitura, e faltam livrarias para esse público. Infelizmente, com a concentração de mercado e as restrições que as editoras impõem às pequenas e médias livrarias, o acesso ao livro e à leitura fica restrito às grandes superfícies.

Levantamento realizado pela ANL (Associação Nacional de Livrarias) constata um enorme deficit de livrarias no Brasil. Temos uma média de 1 livraria para 65 mil habitantes, sendo que o recomendado pela Unesco é de 1 livraria para 10 mil habitantes. A falta de livrarias nos mais diversos rincões de nosso país desestimula a leitura.

Por mais que queiramos investir e acreditar no mercado do livro digital, é na loja física que o livreiro consegue manter o seu negócio. É um mercado promissor. 

Desde que as regras do jogo sejam seguidas e respeitadas, podemos competir de forma justa. Isto é, o autor materializa sua ideia, a editora transforma em edição, a distribuidora abastece o mercado e o livreiro atende o leitor.

Como afirmado por alguns especialistas do setor, não basta a Lei do Preço Fixo para manter o setor saudável e equilibrado. É preciso que algumas práticas nocivas ao livreiro, principalmente de pequeno e médio porte, sejam revistas nas transações comercias.

Para implementação e um pacto pela leitura, é necessário vontade e valorizar parcerias entre editoras, distribuidores e livrarias.

Texto de autoria de Ednilson Xavier,