terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mitologia nórdica e história viking


Com a série Vikings do canal History, cresceu o meu interesse em mitologia nórdica, o pouco que eu sabia se devia aos quadrinhos do Thor, mas aos poucos fui lançando termos e palavras-chave em pesquisas e fui lendo e copiando muita coisa interessante.

Segue abaixo uma série de artigos, textos e informações coletadas ao longo da semana. 

A mitologia nórdica, também conhecida como mitologia escandinava ou viking, é composta pelo conjunto de lendas, crenças e religião dos povos escandinavos antigos (que habitaram a região da Península da Escandinávia). Os principais mitos nórdicos são originários, portanto, dos reinos vikings.

A mitologia nórdica era uma coleção de histórias e crenças compartilhadas pelos povos germânicos do norte. Ela foi transmitida de forma regular de geração para geração, principalmente através de poesias.

Essa mitologia chegou até nós através, principalmente de textos medievais escritos durante e após o processo de cristianização da região. Outra importante fonte foram os Eddas (conjunto de textos encontrados na Islândia que apresentam históricas e personagens mitológicos). A transmissão dos mitos permaneceu durante a Era Viking.

Principais características da mitologia nórdica:
  • Os mitos e lendas eram transmitidos, principalmente, de forma oral de geração para geração
  • O mundo é representado como um disco plano
  • Os deuses nórdicos habitavam Asgard (espécie de cidade sagrada cercada por muros)
  • Os deuses deram aos homens habilidades e sentidos.
Fiquei sabendo por um texto em espanhol que encontrei no google que os estudos sobre a Escandinávia estão tendo cada vez mais espaço e repercussão. Exposições estão sendo montadas sobre os vikings, congressos e publicações acadêmicas são ministradas com os invasores bárbaros como tema principal.

Há uma citação de um congresso na prestigiada Universidade de Paris-IV Sorbonne com o tema Vikings, nesse evento se reuniu alguns dos maiores nomes nessa área, e desse congresso se originou um livro, organizado por um professor de língua, literatura e civilização escandinava dessa universidade, além de ser fundador do Instituto de estudos escandinavos na França.

Estudiosos da cultura viking 

O arqueólogo inglês Neil Price escreveu um artigo sobre feitiçaria entre os nórdicos medievais, falando sobre seus usos, aplicações sócio-culturais e da principal prática que é o Seiðr (canto), que na mitologia nórdica assume diversas formas e sentidos na sociedade, era geralmente usada para adivinhação e malefícios.

As principais funções da feitiçaria seriam o seu uso doméstico e a interferência na vida cotidiana, afetando as relações internas e externas da comunidade. Price também dedica vários momentos na interpretação de objetos encontrados em tumbas femininas, revelando diversos instrumentos das práticas de feitiçaria, especialmente bastões mágicos, que vão sobreviver na cultura popular de diversas regiões da Europa durante o período Medieval.

Já a historiadora americana Jenny Jochens contribuiu com o estudo "La femme viking en avance sur son temps". A investigação do papel das mulheres nórdicas é uma área promissora, que vem contando com diversas publicações recentes, a historiadora investiga a situação feminina através de fontes epigráficas (inscrições rúnicas), monumentos fúnebres e comemorativos, atestando a importância delas para o controle das propriedades, dos patrimônios e mesmo do cotidiano, participando, por exemplo, da confecção das velas dos navios, sem os quais não ocorreriam as famosas expedições vikings pelo mundo.

Em particular, a historiadora analisa a vida de uma famosa escandinava, Gurir Þorbjarnardóttir, verdadeiro símbolo do papel cultural desempenhado pelas mulheres nas suas comunidades e no seu tempo. Viajando para Roma, convertendo-se em freira na Islândia ou participando de cultos pagãos na Groelândia, Gurir absorvia a cultura ancestral e transmitia este conhecimento para as novas gerações.

Jochens conclui que as nórdicas estavam mais avançadas em relação as mulheres das outras sociedades de seu tempo, especialmente por sua relação com a propriedade, seu papel sobre a vida econômica e sua contribuição objetiva à vida cultural: "as mulheres Vikings foram realmente as primeiras mulheres européias".

Em seguida, o professor islandês Torfi Tulinius apresenta sua interessante pesquisa perpetuando uma tradicional perspectiva nos estudos literários envolvendo Islândia medieval,

Tulinius mostra uma perspectiva de influências bíblicas na composição das sagas durante o século XIII. Apesar deste tipo de literatura remeter aos tempos pagãos e parte de sua estrutura narrativa ter sido elaborada ainda no período oral, alguns elementos da composição foram influenciados pelos indivíduos que transcreveram essas fontes dentro do pensamento latinista.

Assim, a própria concepção do guerreiro viking e sua antiga história foram repensadas pela moral religiosa do catolicismo medieval. Analisando especificamente a Saga de Egill Skalla-Grímsson, o professor Tulinius demonstra que esta narrativa recebeu influências diretas do Velho Testamento, como a descrição dos personagens do rei David e Bethsabée (transfigurados no comportamento de Egill e Ásgerr), Caim e Abel (transfigurados na relação entre Thórólfr e Egill), entre outras passagens da saga.

Assim, o viking personificado nas sagas é por excelência uma figura da literatura e não simplesmente uma imagem histórica que a escrita preservou após a entrada da cultura e escrita latina na Escandinávia. A sua representação de submissão da ordem e da autoridade divina e terrestre (Egill perante o rei da Inglaterra) seria também uma influência implícita do pensamento cristão -sobre o papel do monarca na literatura.

O trabalho de Tulinius, além de extremamente interessante a todo pesquisador de escandinavística, também é um excelente exemplo de análise comparativa e metodológica nas fontes escritas e de heurística medieval bem aplicada.

Além desses artigos e congressos, há uma reedição de um livro clássico, Os Vikings, do arqueólogo dinamarquês Johannes Brøndsted, que garante a continuidade de uma importante referência bibliográfica sobre o assunto.

Escrito originalmente em 1959, esta obra ainda possui valiosas contribuições para os iniciantes nesta área, apesar de alguns aspectos desatualizados e questionáveis ao longo do texto.O livro foi dividido basicamente em três partes.

A primeira concedendo uma síntese do processo e a formação histórica dos povos escandinavos durante a Era Viking (séculos VIII ao XI d.C.); a segunda traz elementos do cotidiano e cultura material; a terceira, aspectos básicos da religião e mitologia nórdica, além da arte e da literatura.

Na primeira parte (capítulos I a V), Brøndsted examina especialmente a questão da origem e as causas do processo de expansão dos Vikings pela Europa – um tema muito debatido durante os anos 1950 e 1960, mas que atualmente já encontra certa interpretação unânime.

O processo de formação e consolidação dos reinos escandinavos é particularmente vislumbrado pelo autor respeitando as variações regionais e políticas do mundo nórdico, sempre confrontando dados históricos de documentos medievais com fontes arqueológicas disponíveis até o final da década de 1950.

A colonização do Atlântico Norte também é analisada pelo autor, mas não deixa de ser curioso o fato de que a principal evidência da presença nórdica na América do Norte – o sítio arqueológico canadense de L’Anse Aux Meadows, só foi descoberto em 1964, depois da obra ter sido publicada originalmente.


Réplica de um acampamento viking em L´anse aux Meadows

Réplica de um acampamento viking em L´anse aux Meadows


Réplica de um acampamento viking em L´anse aux Meadows

Sem dispor de estudos arqueológicos, Brøndsted concluiu que a América do Norte havia sido visitada pelos nórdicos, utilizando apenas deduções históricas e análises cartográficas.

A segunda parte (capítulos VI a XI), que trata da cultura material e cotidiano escandinavo, é o ponto forte da obra, visto a formação arqueológica do autor. Detalhes de armamentos, ferramentas, vestuário, transportes, habitações e sepulturas são muito bem descritos, concedendo ao leitor uma visão realista da vida diária dos Vikings, desmistificando muitos estereótipos a respeito dos escandinavos, como as imagens de bárbaros selvagens e primitivos – que utilizariam somente roupas de pele, capacetes com chifres, alimentavam-se de carne crua, comportavam-se como trogloditas.

Elfos e a mitologia nórdica

É da Islândia que vem a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica ser construída, a maioria das histórias foram transmitidas oralmente, os contos se baseiam no Eddes e outros textos medievais escritos após a cristianização dos países.

A mitologia viking se baseava em atos, gestos e culto aos ancestrais, apesar de ser um país católico, a Islândia permitiu a prática de culto ao paganismo, e isso contribuiu para a construção da maioria dos mitos e sagas vikings.

Seu folclore é composto de lendas e crenças em criaturas como trolls, ogros, goblins, elfos e anões.

Os Elfos são criaturas parecidas com fadas e ninfas, simbolizando o ar, terra, fogo, água. Eram seres imortais, sempre ligados a natureza e fertilidade.

Viviam em colinas, fontes e florestas, sempre escondidos dos seres humanos, são sempre citados na literatura medieval européia, Shakespeare os retratava como seres pequenos. Na Islândia, a lenda é de que tem o tamanho de um homem comum.

Fatos interessantes sobre a lenda élfica na Islândia

  • A estrada principal que liga Reykjavík a Selfoss, a determinada altura tem um desvio para a esquerda, aparentemente sem explicação perto de Hveragerdi. Este desvio aconteceu para se afastar de uma colina onde supostamente vive um elfo!
  • Ainda hoje, as ruas das cidades islandesas estão alinhadas de forma a evitar as colinas supostamente habitadas por Elfos. É que em experiências passadas demonstrou-se que máquinas, martelos e outros artefatos falham ou se partem quando se tenta construir nos locais habitados por estes seres.
  • O túnel que liga Dalvík a Ólafsfjördur foi construído nos anos 90. A determinada altura, as máquinas foram afetadas por diversos problemas mecânicos. 
Principais criaturas da mitologia nórdica:

  • Deuses e deusas: deidades superiores.
  • Valquírias: deidades menores, servas de Odin.
  • Heróis: criaturas que realizavam grandes feitos, pois possuíam poderes especiais.
  • Anões: possuíam inteligência superior e muitos tinham a capacidade de prever o futuro.
  • Jotuns: gigantes com poderes especiais que quase sempre aparecem em oposição aos deuses.
  • Bestas: seres sobrenaturais como, por exemplo, Fenrir (lobo gigante) e Jörmundgander (serpente marinha gigante).
  • Nornas: deusas que tinham funções específicas relacionadas ao controle do presente, passado, futuro, sorte, azar e providência.
  • Elfos: viviam nas florestas, fontes e bosques. Eram imortais, jovens e tinham poderes mágicos.

Os principais deuses da mitologia nórdica:
  • Odin: Deus, rei de todos os deuses.
  • Thor: Deus dos raios e dos trovões. Filho mais velho de Odin.
  • Balder: Deus da justiça e da sabedoria.
  • Loki: Deus do fogo
  • Frigga: Deusa da fertilidade e do amor.
  • Bragi: Deus da sabedoria e da poesia.
  • Dag: Deus do dia.
  • Njord: Deus dos ventos e da fertilidade.
  • Frey: Deus da fertilidade e do tempo.
  • Ran: Deus dos mares.
  • Gerda: Deusa das almas perdidas.
  • Freia: Deusa do sexo, do amor, da beleza e da fertilidade.

Os principais heróis da mitologia nórdica:
  • Beowulf: guerreiro que venceu o dragão e o grande monstro Grendel.
  • Siegfried: personagem épico na saga dos Volsungos.
  • Grendel: monstro que foi derrotado por Beowulf.
  • Volsung: personagem rei.
  • Erik, o vermelho: descobridor da Groelândia.
As Valquírias:
  • Brynhild ou Brynhildr ("correspondente de batalha", muitas vezes confundida Brunhilde, da Saga dos Nibelungos);
  • Sigrun ("runa da vitória");
  • Kara, Mist, Skogul ("batalha");
  • Prour ("força");
  • Herfjotur ("grilhão de guerra");
  • Raogrior ("paz do deus");
  • Gunnr ("lança da batalha");
  • Skuld ("aquela que se torna");
  • Sigrdrifa ("nevasca da vitória");
  • Svana, Hrist ("a agitadora");
  • Skeggjold ("usando um machado de guerra");
  • Hildr ("batalha");
  • Hlokk ("estrondo de guerra");
  • Goll ou Göll ("choro da batalha");
  • Randgrior ("escudo de paz");
  • Reginleif ("herança dos deuses");
  • Rota ("aquela que causa tumulto");
  • Gondul ou Göndul ("varinha encantada" ou "lobisomem").

As Valquírias compõem a mitologia dos povos nórdicos e germânicos que habitavam a região norte da Europa. Caracterizadas como virgens guerreiras que cavalgavam corcéis, elas estavam ligadas ao panteão de Odin, a principal divindade da religião politeísta professada por estes povos.

Odin foi um dos três filhos do ser surgido do gelo lambido pela vaca Audumbla. Após destruírem o gigante Ymir e com o corpo da morte formarem a terra, Odin e seus irmãos passaram a estabelecer várias das características que constituem o mundo, como o dia e a noite, e também o surgimento de novos seres, como os humanos.

Odin habitava Asgard, a morada dos deuses, constituída por uma infinidade de palácios, dentre os quais se destacava o Valhala, onde Odin residia. Amante dos festins e das batalhas,era no Valhala que elas ocorriam, sendo seus protagonistas os heróis mortos nas batalhas ocorridas na Terra.

Uma das funções das valquírias era percorrer os campos de batalha em busca dos guerreiros mais valiosos, escolhidos por Odin, para serem encaminhados para Valhala. As valquírias eram as mensageiras, conhecidas como “as que escolhem os mortos”, que preparavam, dessa forma, o exército de Odin para o dia de enfrentamento com os gigantes, na batalha decisiva contra os descendentes de Ymir.

Quando cavalgavam em seus corcéis, o brilho dos escudos portados pelas valquírias produzia nos céus nórdicos uma luz estranha, conhecida como aurora boreal, um fenômeno celeste que ocorre nas regiões polares. Eram a representação dos espíritos guerreiros femininos e, dessa forma, compuseram a mitologia dos tempos do paganismo germânico.

Desde a Idade Média até à Idade Contemporânea, as valquírias compunham também a cultura popular dos povos germânicos. Nesse sentido, foram utilizadas como elementos componentes do nacionalismo germânico do século XIX, que foi uma das vertentes que auxiliaram na unificação do atual Estado alemão.

A valquírias foram imortalizadas na ópera As Valquírias, de Richard Wagner, que compõe a tetralogia O Anel de Nibelungo. O ato III da ópera, A Cavalgada das Valquírias, ficou muito famoso por ser utilizado exaustivamente no cinema, popularizando a obra.

Nove mundos que compõem a mitologia nórdica


No início havia o Nada (Ginnungagap), que remete à noção grega do "Caos". Um imenso vazio, que se estendia até o Norte, a Terra do Gelo (Niflheim), e o Sul, a Terra do Fogo (Muspell). Separadas pelo Nada, essas forças de frio e calor, contração e expansão, estavam inertes. 

Até que Deus, o Criador de todas as coisas, aquele que não tem nome e que é citado apenas na Criação e no fim dos tempos, respira, e suas baforadas unem frio e calor, compondo flocos de neve que foram se aglutinando até formar o primeiro ser: um gigante de gelo chamado Ymer, que deu origem a vários outros gigantes. 

Essas criaturas alimentavam-se do leite da vaca primordial Auðhumla que, por sua vez, alimentava-se lambendo o sal dos blocos de gelo. Numa dessas lambidas revelou-se a forma de uma nova criatura, cuja raça ficou conhecida como Aesir. Esse primeiro Aesir se chamava Buri, que teve (não sei como) um filho, Bor, que se casou com a filha de um dos gigantes e assim tiveram três lindos e importantes filhos: Odin, Vili and Vé. 

Esses três são simplesmente a Santíssima Trindade Nórdica, pois eles detêm o poder de trazer ordem ao Caos. Eles matam o gigante Ymer, dilaceram suas formas e com seus restos ajudam a compor o Universo (especialmente nosso mundo).

No centro do Nada está uma gigantesca árvore chamada Yggdrasil, o eixo dos nove mundos. 

Suas imensas copas chegam aos céus, podendo dessa maneira sempre estar banhadas por uma luminosa nuvem que orvalha Hidromel (a bebida favorita dos deuses, que garantia a eles a longevidade), que tem por função revitalizar automaticamente a imensa árvore. Os galhos mais altos serviam de moradia ao Galo de Ouro, que tem a responsabilidade de guardar os horizontes e denunciar aos deuses a aproximação de seus eternos inimigos, os gigantes. 

Logo abaixo, mas ainda no topo, há uma águia (Hraesvelg) que, ao bater de suas asas, produz o vento que sopra por todos os mundos.

Abaixo dela temos Asgard (Terra dos Aesir), governado por Odin e sua esposa, Frigga. 

É lá que fica o Valhala (Salão dos assassinados), local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido com honra, em batalha. Metade das almas passam seus dias treinando em combates e desfrutando de grandes banquetes e orgias à noite. Elas formam o "Exército das Almas Vivas". A outra metade segue para Folkvang, o palácio de Freyja.

Também nos galhos se encontra Vanaheimr (Lar dos Vanir), que são uma outra categoria de deuses, ligados à fertilidade, prosperidade, sabedoria e capacidade de ver o futuro (enquanto os Aesir são mais guerreiros e ligados à magia). Há muita rivalidade entre esses dois tipos de deuses.

Ainda no alto, temos Álfheimr, o Lar dos Elfos. É onde vivem os elfos luminosos, criaturas de beleza inenarrável. Brilhantes como o Sol, vestem-se de forma delicada e transparente. São amigos de homens e deuses.

Odin e seus irmãos usaram o corpo do gigante Ymir para criar Midgard (Terra Média), o mundo dos homens, situado em volta do tronco de Yggdrasil. A carne de Ymir se tornou a terra. O sangue formou lagos e oceanos. Dos ossos, formaram-se as montanhas. Seus dentes e fragmentos de ossos são as pedras. Os cabelos formaram árvores. O crânio de Ymer formou o céu, e foi sustentado no alto por 4 anões, chamados Norðri (Norte), Suðri (Sul), Austri (Leste) e Vestri (Oeste). Midgard está unida a Asgard por uma ponte em forma de arco-íris, chamada Bifröst. Construída pelos Aesir, era guardada pelo deus Heimdall, que nunca dormia.

Jötunheimr é a Terra dos gigantes. Quando Ymer morreu, o derramamento de sangue foi tão volumoso que acabou afogando quase toda a raça de gigantes (que viviam no início dos tempos). 

Salvaram-se apenas Bergelmir e sua mulher, que fugiram num barco e chegaram à montanha de Jötunheim, onde fundaram uma cidade chamada Utgard, separada da terra dos homens pelo vasto oceano (que é protegido/circundado pela serpente Jörmungandr, que é tão grande que toca o próprio rabo, como o Uroboros). 

Muspelheim (Terra do fogo) é o lar dos demônios de fogo, liderados por Surtur (seria a inspiração para o Balrog?).

Nas raízes de Yggdrasil está o mundo de Svartalfheim (Lar dos elfos escuros). 

Eles são a contraparte decadente dos elfos luminosos, e vivem no subterrâneo, pois o Sol pode transformá-los em pedra. O termo elfo "escuro" pode ser uma sugestão em relação ao seu lugar de residência, muito mais do que de sua natureza presumida, embora fossem descritos como mesquinhos e incômodos para seres humanos. 

Assim como os anões, os elfos escuros cresceram a partir das larvas da carne de Ymir, mas os anões vivem no subterrâneo de Midgard, em Nidavellir (os Campos escuros). Os elfos escuros são, freqüentemente, apontados como responsáveis por muitas das maldades que ocorrem à humanidade. Daí a palavra alemã para pesadelo: Albtraum (sonho de elfo).

Niflheimr (Terra das névoas) é um mundo de gelo eterno, onde vivem os anões e o reino dos Nibelungos. Baseado nessa mitologia, o compositor Richard Wagner não só compôs, como escreveu a história de sua ópera O Anel do Nibelungo (Der Ring des Nibelungen).

O centro desta história é um anel mágico, que foi forjado pelo anão Alberich (o Nibelungo do título), cuja posse garante poder sobre todo o mundo. Diversas personagens míticas lutam por 3 gerações pela posse do objeto, incluindo Wotan, o chefe dos deuses. Qualquer semelhança com O Senhor dos Anéis não é mera coincidência. 

É dito que as raízes mais profundas da árvore Yggdrasil estão enterradas em Niflheimr. 

Lá existe um dragão chamado Nidhogg, que guarda uma fonte mágica e fica roendo as raízes da árvore com o objetivo de a destruir, mas existem vários animais que distraem Nidhogg, e um deles é o esquilo Ratatosk. É ele que alimenta a troca de insultos entre Nidhogg e águia que fica no topo dos galhos de Yggdrasil.

Ironicamente é nas profundezas de Niflheimr (e não na Terra do fogo) onde fica a coisa mais próxima do inferno na mitologia nórdica: Helheimr (Lar de Hel). 

Mergulhado em perpétua escuridão, e guardado pelo gigantesco cão Garm, Helheimr é governado por Hel, deusa da morte, e é pra lá que as pessoas vão quando morrem sem glória, doentes ou com idade avançada, além de crianças e mulheres. Ao contrário do que sugere a associação com a palavra Hell (inferno) em inglês, em Helgardh não há senso de punição para os mortos. Helgardh é um mundo dentro de um mundo (de Niflheimr), o reino mais frio e baixo na ordem total do universo, abaixo da terceira raiz de Yggdrasil.

  • Midgard:  o Jardim do Meio, o planeta Terra, o mundo dos homens. é considerado o mundo da ação física, das experiências sensoriais, do crescimento intelectual e o inicio da expansão espiritual para os nórdicos. Nesse nível. As forças do bem e do mal estão presentes neste mundo, e estão em equilíbrio, cada ação tem a sua reação. Midgard é o resultado da interação existente entre o fogo de Muspelheim e o gelo de Nilfheim. Midgard está localizada acima da raiz terrestre de Yggdrasil, embaixo da qual nasce a fonte do gigante Mimir. Ela é vista como a sede da humanidade, visitadas por todos os seres que passam por ali.
  • Ljossalfhem : A morada dos elfos claros. Está localizada bem cima de Midgard no eixo vertical. Não pode ser percebida pelos humanos como um plano real, mas é conhecido deles como o universo mental. Os elfos deste mundo são invisíveis devido a sua estrutura etérea, mas exercem influência sobre a mente humana no campo intelectual e artístico. É também considerado o reino da imaginação, da criatividade, abriga os pensamentos conscientes e pode transforma-los em ações positivas.
  • Svartalfheim :  É o oposto de Alfheim, está localizado baixo de Midgard e é lar dos elfos escuros e dos anões, e é guardado pelo anão Modsognir. Considerado o plano da modelagem, da transformação da matéria bruta em materiais refinados, como os metais, os cristais e as pedras preciosas. Dizem que a luz pode transformar os seres deste reino em pedra, desta forma eles vivem em florestas escuras ou cavernas e protegem-se da aproximação do ser humano.
  • Hel ou Nifelhel : Localizado na base da Árvore, em um nível mais profundo, conhecido como "Mundo Subterrâneo". É associado aos mortos, governado pela deusa de mesmo nome. Vale dizer que os mortos que ali estão, não tiveram uma morte honrosa em campos de batalha, morreram de velhice ou doença. É um plano onde o silêncio predomina e também uma certa inércia, mas as almas veem para o Hel para repousarem e esperarem pelo dia de renascer. O plano também pode ser alcançado por uma ponte larga e escura, protegida pela ajudante da deusa omonima, Mordgud ou Modgudr.
  • Asgard :  O reino dos Aesir, localizado no topo da Árvore na chamada "raiz espiritual" na raiz superior, em oposição ao reino de Hel. Este fica em um plano superior praticamente inacessível, regido por Odin e Frigga.  Sinônimo de Céu, Mundo Superior, só sendo possível ser alcançado com com determinação e fé, com auxilio de um mentor ou de uma Valquíria. É em Asgard que está localizado o castelo Valhala, onde os guerreiros escolhidos pelas Valquírias, passam o resto de seus dias preparando para o Ragnarok.
  • Nilfheim: Conhecido como Reino de Gelo. Um mundo frio coberto por uma névoa, local onde a neblina se condensada aquecida pelos ventos quentes soprados diretamente de Muspelheim. Teve participação juntamente ao reino de fogo na criação de Midgard, oriundos do vazio primordial o Ginungagap. Será de Nilfheim, no Ragnarok que sairá o navio dos mortos, Naglfari, conduzido pelo deus Loki.
  • Muspelheim: O Reino de Fogo, localizado no polo oposto ao Nilfheim, e como já dito é co-criador de Midgard. É habitado por Thursar e Etins, gigantes antigos e dotados de imenso poder de destruição. Desta dimensão partem os gigantes que vão destruir os mundos no Ragnarok.
  • JÖTUNHEIM: Também conhecido como Utgard, reino dos Jötnar ou Thursar, gigantes inimigos dos deuses, comandados por Thrym. Um mundo considerado estagnado, pois seus habitantes só fazem guerrear e não tem tempo para dedicar as expansões. Ao contrário dos gigantes, as gigantas conseguem ir além das limitações desta dimensão e por se empenhar tanto acabam atingindo o status de deusas devido a evolução espiritual.
  • Vanaheim: O reino das antigas divindades Vanir. era um reino de paz e plenitude, sede das forças modeladoras de processos orgânicos, das qualidades de prosperidade e de abundância e do potencial mágico. Os Vanes também são seres regentes da fertilidade, da sexualidade e do amor em Midgard, e trazem essas forças também para o Vanaheim. 

Estudo comprova que vikings chegaram à América antes de espanhóis


Pesquisa mostra que algumas famílias islandesas têm gene ameríndio, e que este seria originário de uma mulher trazida no ano 1000

A primeira pessoa a viajar até a Europa, tendo nascido no continente americano, é possivelmente uma mulher que os vikings teriam levado para a Islândia há mais de mil anos, segundo um estudo realizado por cientistas espanhóis e islandeses.

Essas conclusões sustentam a teoria de que o grupo chegou ao continente americano muitos séculos antes de Cristóvão Colombo ter descoberto o Novo Mundo.

O Instituto de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC) informou que análises genéticas realizadas em cerca de 80 pessoas vindas de quatro famílias islandesas mostraram que os indivíduos possuíam um tipo de DNA que é apenas encontrado nos ameríndios ou pessoas nascidas na Ásia Oriental.

"Pensamos primeiramente que o DNA tinha vindo das famílias asiáticas que se estabeleceram recentemente na Islândia", declarou um pesquisador do CSIC, Carles Lalueza-Fox, citado em um comunicado do instituto publicado nesta quarta-feira.

"Mas quando as árvores genealógicas foram estudadas, descobrimos que as quatro famílias descendiam de ancestrais que viveram entre 1710 e 1740 e vinham da mesma região do sul da Islândia", acrescentou.

A linha genética descoberta, chamada de C1e, é mitocondrial, o que quer dizer que o gene foi introduzido na Islândia por uma mulher.

"Sabendo que a ilha foi virtualmente isolada a partir do século X, a hipótese mais verossímil é a de genes correspondentes de uma mulher de origem ameríndia que foi levada do continente americano pelos Vikings por volta do ano 1000", explicou Lalueza-Fox.

Os pesquisadores tiveram acesso aos dados da companhia de CODE Genetics, situada em Reykjavik.

A equipe de cientistas espera encontrar este mesmo DNA de origem ameríndia em outras pessoas provenientes da população islandesa, começando pela região situada ao redor da geleira Vatnajokull, no sul do país.

O relatório, redigido pelos cientistas do CSIC e da Universidade da Islândia, foi publicado na última edição do American Journal of Physical Anthropology.

Eles chegaram à América antes de Colombo, deixaram profundas marcas na Europa e criaram longas rotas de comércio. Mas isso foi ofuscado pela lendária violência de seus ataques.




No fim do século 8, a ilha de Lindisfarne, na costa nordeste da Inglaterra, abrigava agricultores, pastores e religiosos. Era um local sagrado, onde Santo Aidan havia vivido 100 anos antes. Todos os tesouros do povoado se resumiam a um punhado de objetos de culto, como cálices e hostiários feitos de metais preciosos, que ficavam guardados num mosteiro.

Como a maioria da Europa era cristã, os moradores de Lindisfarne podiam até temer uma invasão, mas tinham certeza de que suas relíquias religiosas jamais seriam tocadas. Toda essa confiança ruiu em 8 de junho de 793.

Foi quando uma horda de homens desembarcou na ilha, vinda das gélidas ter­ras do norte. Com ferocidade e rapidez, eles saquearam o mosteiro e mataram os monges que cuidavam dele.

A invasão de Lindisfarne foi só o começo.

Ela marcou o início da Era dos Vikings. Entre o fim do século 8 e a metade do século 11, boa parte da Europa seria aterrorizada pelos guerreiros escandinavos. Primeiro na costa britânica, depois no resto do continente, os europeus descobriram que nada era páreo para os vikings.

Nem crenças celestes nem tampouco regras terrenas. Não foi à toa que seu nome se originou do termo nórdico vik, que se refere a alguém que espreita em uma baía – em outras palavras, um pirata.

Pagãos, os vikings não diferenciavam camponeses de monges ou tesouros de relíquias cristãs. Para eles era tudo igual, o que chocou os cronistas europeus da época, que descreviam os vikings como “bárbaros” sem piedade.

Na verdade, o campo de batalha era uma espécie de paraíso para os nórdicos. O céu de sua religião, Valhala, nada mais era que uma eterna guerra. Eles acreditavam que, nessa espécie de Olimpo, os vencedores de cada dia eram convidados a comemorar com Odin – um de seus principais deuses – o sucesso obtido em mais uma luta.

Em suas incursões, além de saquear, os vikings faziam escravos.

Mas os escandinavos também praticaram pacificamente o comércio e estabeleceram colônias em locais como França, Alemanha, Países Baixos e Rússia.

“Os vikings não eram apenas senhores da guerra”, afirma a arqueóloga dinamarquesa Else Roesdahl no livro The Vikings (sem edição no Brasil). “Eles também eram exploradores que colonizaram terras até então desabitadas do Atlântico Norte – Ilhas Faroe, Islândia e Groenlândia –, e foram os primeiros europeus a chegar à América.” Apesar de os vikings terem superado o navegador Cristóvão Colombo em cinco séculos, a fama de implacáveis permanece sendo sua imagem mais forte.

Invasões bárbaras

Em vastas terras que hoje pertencem a Suécia, Dinamarca e Noruega, os vikings viviam da agricultura, da pesca e do comércio (de peles, madeira, trigo, peixes, metais e, eventualmente, de escravos). A sobrevivência era bastante complexa, porque os recursos eram escassos – e o frio, de doer.

Ao contrário do que ocorreu em boa parte da Europa, os vikings nunca sofreram uma invasão romana e, por causa disso, eram bem diferentes dos outros povos do continente. Eles compartilhavam a mesma cultura, mas não formavam uma sociedade unificada.

Boa parte deles vivia dividida em comunidades menores, cada uma comandada por um líder guerreiro. A falta de divisões políticas muito organizadas se refletiu nas invasões vikings da Europa: em vez de grandes exércitos obedecendo a um rei, muitas vezes as pilhagens eram feitas por pequenos grupos de homens (que depois dividiam o espólio entre si).

Navegando para longe de sua terra natal, os nórdicos se estabeleceram mais ao sul.

Cidades como York, na Grã-Bretanha, e Dublin, na Irlanda, tiveram assentamentos vikings.

Eles desembarcaram nessas regiões no século 9, aproveitando o clima mais ameno. O contato com as comunidades locais não era necessariamente violento. Afinal de contas, muitos vikings aceitavam se converter ao cristianismo. “Devemos lembrar que o nacionalismo extremo é um fenômeno histórico recente. Naquela época, a Inglaterra estava dividida em pequenos reinos (...) e os dinamarqueses eram rapidamente aceitos”, afirma o historiador sueco Holger Arbman no clássico The Vikings (inédito no Brasil).

Na Europa continental, os vikings fizeram por merecer sua fama de guerreiros implacáveis.

Aproveitando a versatilidade de seus barcos, eles navegaram pelo rio Sena até chegar a Paris. Por duas vezes, em 845 e 860, chegaram, pilharam sem enfrentar grande resistência e, quando ficaram satisfeitos, foram embora.

Em novembro de 885, eles voltaram, mas encontraram uma cidade bem mais protegida. Guaritas haviam sido construídas, assim como pontes móveis de madeira, usadas para impedir a entrada de navios inimigos. Teve início, então, uma especialidade viking: o cerco. Eles costumavam cercar as cidades para sufocá-las e, normalmente, exigiam pagamentos para se retirar.

Os parisienses resistiram por quase um ano ao assédio de um dos maiores esforços vikings de guerra: 30 mil homens, que chegaram em 700 embarcações. Foram salvos pela chegada do exército do Sacro Império Romano. Quando o embate acabou, os vikings envolvidos nele se dispersaram.

Um dos líderes nórdicos, Rollo, resolveu permanecer na região. Ganhou uma fatia de território na Normandia para se estabelecer e, em troca, deveria proteger os francos de novos ataques de seus compatriotas. Rollo mudou o nome para Robert e se converteu ao cristianismo – dando origem a uma linhagem que, mais tarde, conquistaria parte da Inglaterra.

Os ataques à França, às ilhas britânicas e à Espanha eram realizados pelos vikings que viviam nas atuais Noruega e Dinamarca. Seu alvo preferencial era a Irlanda: na primavera, os ventos da costa norueguesa levavam os barcos até lá sem muito esforço. Os saques podiam durar até o outono, quando surgiam os ventos que traziam os nórdicos de volta para casa. Já os vikings do território que hoje corresponde à Suécia costumavam partir para o mar Báltico, onde pilhavam as atuais Polônia, Letônia, Lituânia e Rússia.

Quando o objetivo era o comércio, eles iam ainda mais longe: navegando pelos rios Volga e Dnieper, chegaram até Constantinopla, então capital do Império Bizantino. Mas, por ter saqueado a cidade em 860, incendiando igrejas e casas, os vikings eram vistos com desconfiança por lá. Quando vinham comercializar seus produtos, eles tinham que deixar suas armas fora das muralhas de Constantinopla e não podiam entrar em grupos com mais de 50 pessoas.

Em túmulos vikings na Suécia, foram encontradas moedas cunhadas em Bagdá, o que indica que nórdicos percorreram muito chão – e água – para vender seus produtos aos árabes.

Grande parte do que se sabe sobre os vikings, aliás, foi descoberto graças a seus túmulos. Os líderes nórdicos eram enterrados com tesouros, armas e objetos pessoais, incluindo os barcos (é por causa desse costume que sabemos tanto sobre as embarcações vikings, preservadas debaixo da terra). Em alguns sepultamentos foram encontrados corpos de mulheres – provavelmente concubinas, assassinadas e enterradas ao lado do amante morto.

América, ano 1000

Mas o que fez os vikings se distanciarem tanto de seus territórios? “Sugerem-se várias motivações para o surgimento repentino dos vikings em meados do ano 800. A superpopulação na terra de origem é vista como um dos fatores principais”, afirma o historiador britânico Mark Harrison no livro The Vikings: Voyagers of Discovery and Plunder (“Os vikings: viajantes das descobertas e pilhagens”, inédito no Brasil).

O excedente populacional era agravado pela falta de recursos naturais da Escandinávia. Procurando novas terras, grupos noruegueses e dinamarqueses chegaram a ilhas próximas, como as Faroe.

Depois, partiram para locais mais remotos, como a Islândia e a Groenlândia. Foi nessa grande ilha gelada que se estabeleceu Eric, o Vermelho, líder expulso da Escandinávia por assassinato. Seu filho Leif Ericsson, entretanto, não se contentou em ficar por lá e decidiu se aventurar no oceano Atlântico, liderando um grupo de guerreiros.

A recompensa de Ericsson e seus homens foi descobrir a América. Um sítio arqueológico descoberto em L’Anse aux Meadows, na costa leste do Canadá, prova que eles fizeram isso por volta do ano 1000 – segundo os pesquisadores que trabalham no local, o assentamento de Ericsson deu origem à lendária Vinland, a terra das vinhas descrita no folclore viking. Mas os nórdicos não ficaram muito tempo no continente recém-encontrado. Os ataques dos povos locais e a dificuldade de sobrevivência fizeram com que, após três anos, o grupo voltasse para casa.

Na época em que Ericsson retornou ao lar, a fúria expansionista dos vikings começava a entrar em declínio. Uma das últimas grandes batalhas em que eles se envolveram foi na Irlanda, em 1014.

Brian Boru, rei irlandês, pretendia unificar suas terras e entrou em conflito com o líder viking Sigtrig Barba de Seda.

O conflito deu origem à batalha de Clontarf, nos arredores de Dublin. Havia vikings dos dois lados, e os homens de Boru despacharam os de Sigtrig em direção ao mar. Em 1066, o duque da Normandia, William, conseguiu expulsar os vikings da Danelaw, região que os nórdicos habitaram durante quase dois séculos na Inglaterra. Na Escócia, contudo, muitos duques descendentes de escandinavos permaneceram no poder.

O fim dos ataques vikings coincidiu com o avanço do cristianismo entre eles. Nas ilhas britânicas, os nórdicos que não foram expulsos acabaram se adaptando à cultura e à religião local (na Inglaterra, por exemplo, é raro encontrar túmulos pagãos construídos depois do ano 950).

Ao fim do século 10, muitos moradores da própria Escandinávia já eram cristãos. Com a nova religião, o ímpeto por conquistas se dissipou. Mas jamais foi esquecido, permanecendo em lendas contadas até hoje nos locais onde houve colônias vikings.

Soberano das águas

Conheça o poderoso drakkar



Os navios vikings de combate, chamados drakkar, eram silenciosos e leves – se necessário, podiam ser carregados em terra. Os maiores mediam 30 metros, abrigavam 30 remadores e atingiam até 32 km/h.

Esbelto. Diferentemente dos largos barcos mercantes vikings, o estreito drakkar só carregava armas, alimentos e o equipamento necessário para acampar no litoral.

Água cortada

Os vikings eram mestres em controlar suas embarcações e desenvolveram uma inovação: quilhas no casco. Elas davam estabilidade à navegação quando o tempo estava ruim.
Remem, remem!

Os vikings usavam velas feitas de lã, pesadas e coloridas. Quando o vento não era suficiente, eles remavam. Mas os remos também eram usados junto com as velas: serviam para fazer manobras.


Impermeável

Os navios eram de madeira. As finas tábuas eram vergadas com fogo, sobrepostas e unidas com pregos de ferro ou cavilhas de madeira. A impermeabilização era feita com lã molhada em seiva de pinheiro. Em qualquer lugar !

Os barcos vikings tinham casco raso. Isso permitia que eles navegassem em rios pouco profundos e chegassem ao interior da Europa. O formato também facilitava o desembarque, que podia ser feito direto na praia.

No nome e no sangue

A influência viking na Europa não se resume à Escandinávia !!

Qualquer um que aprenda inglês básico está, mesmo sem saber, ajudando a preservar a herança viking.

Diversas palavras do idioma tiveram origem a partir das invasões nórdicas. Thursday, quinta-feira, significa “dia de Thor”, uma referência a um dos mais conhecidos deuses vikings.

A influência está presente ainda em palavras como husband (“marido”), sister (“irmã”), knife (“faca”) e egg (“ovo”). Além da língua inglesa, a tradição viking se perpetuou no nome de algumas cidades européias.

Um caso célebre é Dublin, capital da República da Irlanda: no século 10, os vikings ocupavam uma região irlandesa que chamavam de Dubh Linn. Mas uma das principais contribuições dos vikings fora da Escandinávia corre nas veias de moradores do norte e nordeste da Inglaterra.

Uma pesquisa feita com o sangue de voluntários pelo canal britânico BBC, em 2001, demonstrou que muitos ingleses possuem semelhanças com noruegueses no cromossomo Y (aquele que somente os homens carregam). Essa é mais uma prova de quão profunda foi a integração dos vikings com seus vizinhos do sul – em vez de apenas pilhar, eles foram assimilados e se incorporaram às famílias locais.

Na Dinamarca, a atual rainha, Margrethe II, nem precisa fazer exame de DNA para provar sua ascendência viking. A ocupante do trono dinamarquês é descendente direta de Gorm, o Velho, líder viking que viveu no século 10. Ela consegue traçar seus antepassados em uma linhagem que cobre mais de mil anos.

Mapa com as conquistas nórdicas


Rotas sugeridas pelos historiadores
Bibliografia

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/furia-viking-435434.shtml

Mirella Faur, Mistérios Nórdicos, Editora Pensamento ISBN: 9788531514937

As melhores histórias da mitologia nórdica Autor: Franchini, A. S. Editora: Artes e Ofícios

Dicionário da Mitologia Nórdica Autor: Mussolin, Owem R. Editora: São Paulo

Mitologia Nórdica Autor: Mogk, Eugen Editora: Labor

Contos e lendas dos Vikings Autor: Haraldson, Lars  Editora: Cia das Letras

Fúria Nórdica - sagas vikings Autor: Franchini, A. S. Editora: Artes e Ofícios

Vikings, a era dos conquistadores Autor: Philip, Wilkinson  Editora: Ciranda Cultural

Mitos nórdicos (coleção o passado lendário) Autor: Page, R.I. Editora: Centauro

BRØNDSTED, Johannes. Os Vikings: história de uma fascinante civilização. Reedição. São Paulo:
Editora Hemus, 2004, p. 12, 239, 274.

BULFINCH, Thomas, o livro de ouro da mitologia, histórias de deuses e heróis, 34º edição, tradução David Jardim, Rio de Janeiro – Ediouro, 2006.

Para saber mais: 



A respeito das ideias e do culto a Odin entre os Vikings consultar: LANGER, Johnni. Morte, renascimento e sacrifício: uma interpretação iconográfica da estela Viking de Hammar I. Revista Mirabilia n. 3, 2003. LANGER, Johnni. Guerreiras de Óðinn: as Valkyrjor na mitologia Viking. Revista Brathair de Estudos Celtas e Germânicos, n. 1, 2004.

Sobre o assunto, consultar os debates de: BOYER, Régis. Yggdrasill: La religion des anciens scandinaves. Paris: Payot, 1981, p. 185, 212-221; DUBOIS, Thomas. Nordic religions in the Viking Age. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 1999, p. 134-137. 13 BRØNDSTED, 2004, op. cit., p. 256.

O melhor estudo sobre esta divindade (Loki) ainda é o livro Loki, de Georges Dumézil. Paris: Maisonneuve, 1948. Reeditado pela Flammarion em 1986.

A relação entre símbolos paganistas, inscrições rúnicas e o processo de evangelização cristã foi
recentemente aprofundada em: SAWYER, Birgit. The Viking-Age Rune-Stones: custom and
commemoration in Early Medieval Scandinavia. Oxford: Oxford University Press, 2003, p. 125-154. 17 BRØNDSTED, 2004, op. cit., p. 101.

Conforme BOYER, Régis. Berserkr. In: ---. Héros et dieux du Nord: guide iconographique. Paris:
Flammarion, 1997, p. 27 (Este livro foi resenhado na Revista História Hoje, vol. 1, n. 1, 2003).

Bierlein, J.F;Mitos paralelos/J.F. Bierlein; tradução Pedro Ribeiro,Rio de Janeiro, editora Ediouro, 2003.

Brandão, Junito de Souza; Mitologia grega, volume 1, 3º edição, editora Vozes, Petrópolis, 1987.

Contos e Lendas dos Vikings, Lars Haraldson, Companhia das Letras, 2006

History of the Vikings, Gwyn Jones, Oxford, 2001

www.bbc.co.uk/history/ancient/vikings

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Partituras originais de 'Alla Turca' de Mozart são encontradas



As partituras originais de uma das sonatas mais conhecidas do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, sobretudo por seu último movimento, Alla Turca (marcha turca), foram descobertas por musicólogos húngaros, depois que foram consideradas perdidas por mais de dois séculos.

Os pesquisadores da Biblioteca Nacional da Hungria encontraram no arquivo musical do centro partes da Sonata para piano Nº 11, conhecida popularmente como Sonata em Lá maior.

Balázs Mikusi, diretor da Coleção de Obras Musicais da instituição explicou à Agência Efe que até agora só se conhecia a última página do manuscrito original, que se encontra em Salzburgo, na Áustria, a cidade natal de Mozart.

As quatro páginas manuscritas encontradas agora se complementam com o material conhecido, conservado no Mozarteum de Salzburgo, e sua descoberta foi considerada pela Biblioteca Nacional húngara como uma "sensação internacional".

"As versões impressas não são precisas e com este achado é possível que a obra seja interpretada conforme foi imaginada por Mozart", relatou Mikusi.

Segundo os especialistas, as versões conhecidas da partitura da sonata não são confiáveis, já que contêm erros relacionados com os ritmos, mas também com os sons e as notas musicais.

Como na obra há muitas repetições, será possível "ter uma imagem" dos fragmentos ainda desconhecidos da versão original, acrescentou o investigador.

As páginas descobertas agora contêm fragmentos dos dois primeiros movimentos da sonata composta por volta de 1783 e que é uma das mais conhecidas de Mozart (1756-1791).

O famoso pianista húngaro Zoltán Kocsis interpretará na noite desta sexta-feira a sonata no instrumento original para o qual foi composta, o pianoforte, para que a reprodução seja a mais autêntica possível.

O fato de as partituras originais terem sido encontradas em Budapeste é um mistério, pois Mozart jamais esteve na Hungria.

Matéria publicada no Estado de São Paulo no dia 26 Setembro 2014.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Biblioteca Pública de Salt Lake

O prédio principal da Biblioteca Pública de Salt Lake é um dos triunfos arquitetônicos da cidade. Ele foi projetado pelo estimado arquiteto Moshe Safdie e foi inaugurado em 2003.

A biblioteca espaçosa cobre uma área de 22.300 m². O design moderno de seis andares incorpora uma parede de corredores de vidro, que leva os visitantes a passarem por andares repletos de livros.

Leitores ávidos encontrarão tudo o que eles precisam aqui, com mais de meio milhão de livros para ler.

Leia livros de referência ou romances sentado no resplandecente espaço chamado Urban Room, que conta com vistas deslumbrantes das Montanhas Wasatch. Nos andares superiores, você encontrará seções de estudo dedicadas à literatura e a idiomas, bem como a jornais e revistas.

Você não tem que ser um fã de arquitetura ou um apaixonado por livros para apreciar o passeio por essa biblioteca.

Pinturas e esculturas estão dispostas em todo o prédio, que apresenta um jardim no terraço e lareiras em espiral. As lareiras estão em quatro andares e formam uma coluna central de fogo quando vistas de uma distância.

Uma biblioteca dedicada a crianças encontra-se no andar inferior. Esse local está repleto de luz natural e cheio de livros e jogos para crianças.

As famílias se reúnem aqui em dias chuvosos. Há também uma seção dedicada aos adolescentes, chamada Canteena.

O ambiente chamado Cozy Grandmother's Attic apresenta vigas de madeira expostas, animais empalhados e recantos silenciosos para leitura. Aventure-se na Crystal Cave, que tem uma cachoeira caindo pelas paredes no verão.

Visite a cafeteria no primeiro andar para bebidas. Ao lado dela, o espaço chamado Browsing Library tem os livros e as revistas cuja demanda é maior.

Os eventos são conduzidos regularmente ao longo de todo o ano. Participe de conversas com autores, oficinas, exposições de fotografia e arte, e de programas educacionais. Os horários estão publicados no site da biblioteca.

O prédio principal da Biblioteca Pública de Salt Lake está localizado no centro e a entrada é gratuita.

Ele abre todos os dias e em algumas noites da semana. Parar no estacionamento do subsolo é gratuito durante a primeira·meia hora e há uma pequena taxa a cada meia hora posterior.





















Informações traduzidas do site da Biblioteca.

Diário para um viajante - Palmira - Síria

A umas três horas de carro de Damasco, em direção ao nordeste, há um notável sítio arqueológico: Palmira, chamada na Bíblia de Tadmor.

Esse oásis, que fica a meio caminho entre o Mediterrâneo e o rio Eufrates, é regado por mananciais subterrâneos cujas águas afloram ali, procedentes das montanhas situadas ao norte. 

A antiga rota comercial entre a Mesopotâmia e o Mediterrâneo seguia o Crescente Fértil, bem ao norte de Palmira.

Contudo, no primeiro século, a instabilidade política no norte fez com que a rota sul, mais curta, fosse preferida pelos viajantes. Localizada nessa rota comercial, Palmira atingiu o auge de sua prosperidade.

Sendo útil a Roma como ponto estratégico para defender o lado oriental do império, Palmira foi integrada na província romana da Síria, mas por fim foi declarada uma cidade independente. 

Numa rua ornada com colunatas magníficas havia grandes templos, arcos monumentais, banhos e um teatro. Os pórticos em cada lado eram pavimentados para a passagem de pedestres, mas a via principal não era pavimentada, para a conveniência das caravanas de camelos que passavam por ali. 

As caravanas que percorriam a rota comercial que ligava a China e a Índia (no Oriente) ao mundo greco-romano (no Ocidente), se abasteciam em Palmira. Ali os comerciantes eram obrigados a pagar impostos sobre a seda, as especiarias e outros bens que transportavam.


Zenóbia acorrentada

Zenóbia foi uma rainha na cidade de Palmira do século III que assumiu o controle do Império de Palmira depois da morte do marido, Odenato, em 267, juntamente com o filho Vabalato.

Já em 269, ela havia expandido seus domínios conquistando o Egito, de onde expulsou o prefeito, Tenagino Probo, que foi decapitado depois de fracassar em sua tentativa recuperar a província.

Ela governou até 274, quando foi derrotada e levada prisioneira para Roma pelo imperador Aureliano.

Sua pele era morena, bem morena, e seus dentes, brancos como pérolas, destacavam ainda mais os grandes olhos negros, que brilhavam acentuando ainda mais sua beleza. Sua voz era forte, possante como convinha a uma líder. Sua cultura era apropriada à de uma rainha, que falava mais dois idiomas além do seu.




Entre as ruínas se destaca o Templo de Bel, a grande colunada, uma avenida de colunas que atravessa imponente a cidade terminando no Templo Funerário, o Arco Monumental, o Castelo de qala´at ibn Maan, localizado sobre uma colina dominando a cidade e o Museu, localizado entre as ruínas e a nova cidade, que guarda excelentes peças de Palmira.

O nome "Palmira" refere-se, tal como o prenome feminino, às palmeiras — árvore que supostamente existiria aí em grande quantidade.

Palmira tornou-se parte da província romana da Síria durante o reinado de Tibério (r. 14–37 d.C.).

A cidade continuou a desenvolver-se e a ganhar importância até que se tornou uma cidade livre, sob o império de Adriano, em 129.




Nos séculos I e II, a arte e arquitetura de Palmira, resultou em um encontro de de civilizações, conjugando o greco-romano com as técnicas locais e as influências persas.

Esta cidade apresenta um exemplo único da urbanização antiga, com algumas partes em estados de conservação excelentes, como é o caso da ágora, do teatro e de alguns templos. Juntamente com estes há zonas habitacionais e imensos cemitérios no exterior das muralhas. Palmira exerceu uma inequívoca influência na evolução da arquitetura neoclássica da urbanização moderna.

As ruínas de Palmira na Síria são um dos mais belos conjuntos arqueológicos de ruínas romanas do mundo. Todas as horas são boas para ver algo tão belo, mas é ao fim do dia, quando o intenso calor do deserto acalma e o Sol se esconde, que estas atingem o esplendor da sua magia, e nos levam para tempos longínquos em que esta cidade era um importante ponto de paragem nas caravanas da rota de seda.



De longe a colunata coríntia denuncia sua espetacular grandiosidade. A chegada a Palmira é um fabuloso choque entre o deserto e a abrupta imagem que se abre, um imponente conjunto de ruínas, das maiores e mais importantes do planeta, só muitos séculos depois perdeu importância para Damasco e Aleppo. 

A moderna Tadmor, no mesmo local da antiga Palmira, situa-se junto ao oleoduto Kirkuk-Trípoli, no cruzamento das rodovias que cortam o deserto da Síria.

Aproximavam-se tanto as ruínas daquela que foi uma das mais importantes cidades da Rota da Seda quanto o acesso à fronteira da Síria com o Iraque. 

Aqui o Iraque fica a 150 Km. Aliás, se o deserto sírio tem um coração, ele está em Palmira, e se tudo se aprece com um deserto, é aqui, na beira da fronteira com o Iraque que ele melhor se caracteriza. 

E as ruínas de Palmira são indubitavelmente um grande prêmio para os olhos depois de uma viagem tão longa pelo deserto.

















































































Marcello Lopes